sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
A pior das brisas
PARA TUDO.
ALGUÉM ME DECIFROU.
Uma das coisas mais fodas que já li na vida, e nem sei da onde surgiu, ou quem escreveu. Estava abandonado no rascunho do meu e-mail há meses.
Vontade de imprimir e dar para a minha psicologa. Sou eu. Tirando alguns excessos, sou eu.
Eu sou paranóica e e EXATAMENTE essa a maior das minhas bads, principalmente os trechos em negrito. É isso que se passa pela minha cabeça sempre que estou no meio da multidão.
I know you
You were too short
You had bad skin
You couldn't talk to them very well
Words didn't seem to work
They lied when they came out of your mouth
You tried so hard to understand them
You wanted to be part of what was happening
You saw them having fun
And it seemed like such a mystery
Almost magic
Made you think that there was something wrong with you
You'd look in the mirror and try to find it
You thought that you were ugly
And that everyone was looking at you
So you learned to be invisible
To look down
To avoid conversation
The hours, days, weekends
Ah, the weekend nights alone
Where were you?
In the basement?
In the attic?
In your room?
Working some job - just to have something to do.
Just to have a place to put yourself
Just to have a way to get away from them
A chance to get away from the ones that made you feel
so strange and ill at ease inside yourself
Did you ever get invited to one of their parties?
You sat and wondered if you would go or not
For hours you imagined the scenarios that might transpire
They would laugh at you
If you would know what to do
If you'd have the right things on
If they would notice that you came from a different planet
Did you get all brave in your thoughts?
Like you were going to be able to go in there and deal with it
and have a great time.
Did you think that you might be the life of the party?
That all these people were gonna talk to you and you
would find out that you were wrong?
That you had a lot of friends and you weren't so
strange after all?
Did you end up going?
Did they mess with you?
Did they single you out?
Did you find out that you were invited because they
thought you were so weird?
Yeah, I think I know you
You spent a lot of time full of hate
A hate that was pure sunshine
A hate that saw for miles
A hate that kept you up at night
A hate that filled your every waking moment
A hate that carried you for a long time
Yes, I think I know you
You couldn't figure out what they saw in the way they lived
Home was not home
Your room was home
A corner was home
The place they weren't, that was home
I know you
You're sensitive and you hide it because you fear
getting stepped on one more time
It seems that when you show a part of yourself that is
the least bit vulnerable someone takes advantage of you
One of them steps on you
They mistake kindliness for weakness
But you know the difference
You've been the brunt of their weakness for years
And strength is something you know a bit about because
you had to be strong to keep yourself alive
You know yourself very well now
And you don't trust people
You know them too well
You try to find that special person
Someone you can be with
Someone you can touch
Someone you can talk to
Someone you don't feel so strange around
And you find that they don't really exist
You feel closer to people on movie screens
Yeah, I think I know you
You spend a lot of time daydreaming
And people have made comment to that effect
Telling you that you're self involved, and self centered
But they don't know, do they?
About the long night shifts alone
About the years of keeping yourself company
All the nights you wrapped your arms around yourself
so you could imagine someone holding you
The hours of indecision, self doubt
The intense depression
The blinding hate
The rage that made you stagger
The devastation of rejection
Well, maybe they do know
But if they do, they sure do a good job of hiding it
It astounds you how they can be so smooth
How they seem to pass through life as if life itself
was some divine gift
And it infuriates you to watch yourself with your
apparent skill at finding every way possible to screw it up
For you life is a long trip
Terrifying and wonderful
Birds sing to you at night
The rain and the sun the changing seasons are true friends
Solitude is a hard won ally, faithful and patient
Yeah, I think I know you
[Henry Rollins]
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Pensando sobre a política no Estado de São Paulo
Estou há 3 anos sem atualizar esse blog, mas hoje me deu uma necessidade absurda de escrever uma pequena análise política, coisa que não cabe no twitter, nem no facebook, e não combina com o meu blog pessoal.
Ontem no cursinho alguém falou: "Queria que o Alckmin morresse". Aí pensei: se ele morresse, quem ganharia a eleição em SP?
a) Mercadante jamais. Tem 20 e poucos por cento de votos, mas só. Não vai além disso. Já é bem conhecido, tem apoio do Lula, fala mal de pontos críticos da gestão tucana - pedágio e educação - e ainda assim não adianta. Oscila uns 5 pontos pra cima ou pra baixo e fica por aí. Paulista é muito mais anti-petista do que tucano (assim como eu sou M-U-I-T-O mais anti-tucana do que petista, mas enfim).
b) Paulo Skaf acho difícil, mesmo seu partido sendo aliado à Lula. Tem a seu favor o fato de não ser muito conhecido e poder falar que, ó, que legal que eu sou, gerencio o Fiesp/Sesi/Senai, dou bolsas de estudo para cursos técnicos e ponho jovens no mercado de trabalho! Mas te juro: acho que o paulista médio não se convence de que essas instituições "são legais por causa dele". Ninguém é tão tapado. Acho.
c) Celso Russomano. Acho o mais provável - o que seria o pior dos mundos. A volta do malufismo? Bom, nem tanto. Malufão é único, mas Russomano é de seu partido. Tudo a mesma josta. Celso Russomano já é conhecido, tem uma vida política longa e tem a seu favor o fato de ser um dos cabeças do Código de Defesa do Consumidor - que ele ajudou a criar depois que sua esposa morreu por erro médico.
Os outros candidatos? Bom, para falar deles preciso explicar o contexto ideológico da maioria da população brasileira.
A história é a seguinte: brasileiro é conservador, e taí uma coisa bem difícil de mudar.
Uma pesquisa do Datafolha de 2006 mostrou que:
* 79% da população brasileira é contra a descriminalização da maconha.
* 63% são contra o aborto EM QUALQUER SITUAÇÃO
* 84% defendem a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos
* 51% querem a instituição da pena de morte.
* Outra pesquisa do Ibope de 2006 diz que 69% dos brasileiros são contra ocupações de terra promovidas pelo MST e 71% acham que a reforma agrária abala a democracia (!).
Se a maioria da população é tão conservadora, qual a chance de um político de esquerda chegar ao governo tendo como pilares a reforma agrária, o não-pagamento de dívidas externas e discriminalização da maconha e do aborto?
O Mancha, candidato ao governo de São Paulo pelo PSTU, por exemplo, tem CINQUENTA porcento de rejeição. Simplesmente não há espaço para partidos de extrema esquerda na política brasileira. Esses partidos exercem grande poder sobre universitários, mas sua representação no governo é muito baixa - e não há qualquer perspectiva de mudança.
Enfim. Sabem qual a conclusão? Alckmin prolongar os 16 anos de governo tucano em São Paulo para 20 pode nem ser o pior dos mundos.
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
de 06 para 07 de Agosto de 2008
sonhei q ia fazer parte dum comercial pro google (mote tipos: google em tds os lugares(?))... q eu já tinha "visto" num programa d tv dum outro sonho... um cara fazia uma tiroleza por cima do atlântico O.o
aí dessa vez ele ia me levar tbm...
a gente era vedado pra não levar discargas elétricas e treinava pra tiroleza numa piscinooooona cheia de animais e barcos e o caralho a 4... e ao msmo tempo eu ficava pulando n'agua como se estivesse num bunge e não numa tiroleza... foi bizarro... qse td hora a baleia vinha pra cima d mim como se eu fosse KRILL!!!
rhrhrhrhr
e meo, o comercial tinha 30 seg mas pra gravar eram hoooras de filmagem neh... fikei totalmente exausta de tanto pular nakela piscina...
aíííííí saindo d lá o sonho mudou...
eu fui pra uma festa q CHO-VI-A criançada...
eu fiz umas filmagens de sorrisos e maior montagem num clipe bem batuta... ficou lindo msmo... a música d bg falava sobre sorrir, nunca ouvi na vida, mas era linda...
mais pra frente percebi q rolava vários cosplayers na festa e talz... povo empolgado msmo q vinha até com o carro fansiado, eu vi até um carro de "zapdos" passando...
aí, d pois d mtas brincadeiras e talz, uma hora anunciaram: "aviso de retirada de veículo, por favor retirar o articuno do estacionamento! por favor retirar o articuno do estacionamento!"
aí eu pensei com meus botões: "meo imagina que engraçado uma criança ir pra lá correndo achando q é realmente um articuno de verdade q tá lá no estacionamento! eu ia rir pacas"...
não deu outra... quando olho pro lado (o lugar tava realmente lotado) uma MU-VU-CA de quianças fantasiadas de alunos da hogarts sai correndo berrando: "ARTICUNO! ARTICUNO! ARTICUNO!"
centenas de xapéuzinhos pontudos e vermelhos escoando pro estacionamento gritando: "ARTICUNO! ARTICUNO!"
I LAUGHED MY ASS OFF!
LMAOOOOOOOOOOOOOOOOOO TOTAL
ACORDEI DE TANTO RIR! RAXEI O BICO DE MADRUGADONA... KKKKKKKKKKKK
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eu acordei rindo... mesmo... de doer a barriga...
sábado, 24 de outubro de 2009
adormeci e oshei
aninha... desculpe a ausência, como vc bem percebeu eu estou "mó vida real"... é, tô online no mundo, e off na net... :P
nem escrever tenho escrito... nem em bloquinhos.txt, nem em cadernos, antigos ou novos... alguns rascunhos, mas não tem saído realmente nada... agora talvez os ventos tenham mudado, pois estou reapaixonada ^^... graças a deus... gente como é ruim ficar tempos sem uma paixão... aliás no momento me estranha conseguir ficar um minuto que seja sem uma paixão... apesar de já ter passado por intermináveis temporadas de neutralidade...
tenho estudado o bhagavad gita e sou mais uma encantada com os ensinamentos de krishna na obra... porém não se entregar ao ódio ou ao amor ainda não me é possível... apesar destes sentimentos, ou qualquer outro, levarem ao mundo da ilusão, ainda tenho muita carne e osso pra superar...
e estou apaixonada... ^^ sim sim ^^
leve me levanto e leve me deito...
reencontrando o ritmo do mundo, o meu ritmo no mundo...
ansiava por sua chegada, seu retorno...
sonho com ele desde então...
ele chega no momento perfeito... me inspira e me leva pra passear...
o nome dele é Japanpopshow...
um compacto... um fino, um raro... disco compacto...
só encontrei online na livraria cultura: Curumin - JapanPopShow
"vambora vambora vambora, deixa a roupa na corda que não vai chover agora..."
^^
UPDATE: inacreditável mas FUI NO SHOW DIA 11.10
EM UMA PALAVRA: PERFEIÇÃO ("e como conseguirei melhorar uma vez que tive o melhor?")
consegui plasmar! ^^
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24.10.09
hoje me bateu uma bad...
vi coisas acontecendo... pessoas acontecendo... ligações se formando e novidades chegando... passos sendo dados... primeiros passos sendo dados...
eu vi... eu assisti...
e me senti parada...
meio perdida...
perdida em conformidade...
em soberba...
perdida em tranquilidade...
em certezas de aluguel...
adormecida... em tempos tão divinos...
"perdendo tempo"...
nosso bem tão cristão e precioso...
tentando me convencer que não, não era nada disso...
é difícil se conformar sem "insultar sua inteligência"...
não é inocência... não é inexperiência... não é infantilidade... não é hipocrisia... não sei nem se é realmente algo...
e então me deixei acorrentar...
adormeçi numa cama macia de futilidade... num dia tranquilo de ares quentes e parados... nenhuma brisa... nenhuma fresca novidade me alcansa... durmi e não acordei... num dia de ar parado e quente... nenhum perfume... nenhuma brisa... só eu e meus sonhos adormecidos... nada que pudesse me tirar dalí... nenhuma rota que eu pudesse tomar, e mesmo que tomasse, não tinha ninguém a me esperar...
não me senti impotente... me senti interrompida... meio vendida... um pouco abandonada talvez...
e assim permaneci... algo de dentro ainda martelando a comodidade onde me afundei... incomodada com um adocicado sem gosto na minha boca... com a dureza que meu tato encontrava em qualquer outra coisa que não fosse a nuvem do sono... com os dois únicos sons que minha audição conseguia captar, incessantes, ensurdecedores... com a neutralidade que o ar quente arrastava pra dentro dos meus pulmões... e tudo o que eu via era névoa... sem início nem fim... só uma névoa espessa e isolante...
a inquietação cresceu...
alguns flashes surgiram... seria a salvação?
algumas pequenas emanações positivas me fazendo vibrar, me fazendo sentir algo...
depois de muito tempo e com muito esforço consegui me arrastar, ou fui arrastada, não sei bem... ainda com as correntes, consegui me atirar numa jangada... me pareceu uma boa idéia... me atirei e decidi deixar as correntes para trás...
venci o barulho constante dos grilhões que se enroscavam e, com muita luta, mudei de freqüência...
me deitei e deixei me levar em ondas musicais...
acordes tão bonitos, tão suaves...
me banhei em serenidade e percebi que um ar mais fresco fluía...
aos poucos consegui acalmar a palpitação acelerada que dominou meu dia... meus sonhos distantes...
as ondas trouxeram a noite... a noite trouxe um pouco de paz... a paz me trouxe um pouco de volta...
a batalha não terminou...
desconfiei da calmaria... se seria real ou apenas mais uma artimanha daquele estranho sonífero...
me levantei... desconfiei da jangada... não da música... mas do estado de imobilidade que a jangada me manteve...
desconfiei da desconfiança, se seria apenas mais uma artimanha...
houveram algumas interferências... nenhuma que realmente me libertasse... minhas reações ainda estavam sendo controladas...
me elevei...
tentei mudar de ares... entrei em outro mundo...
escolhi o mundo certo...
foi o certo ou não estaria aqui escrevendo... não teria conseguido abir esse canal... superar a muralha imensa que me fez refém...
desconfio da leveza... será mais uma artimanha?
"No pensamento cristão acredita-se que haja apenas uma vida. É a primeira e a última. Se você morrer, não terá mais tempo, então todo o tempos que você tem são setenta ou oitenta anos, talvez. Por isso há tanta pressa no Ocidente. Todos correm porque a vida está se esvaindo. A cada momento seu tempo de vida restante diminui. O tempo está passando e você está morrendo. Tantos desejos para realizar e tão pouco tempo para realizá-los, isso obviamente gera ansiedade.
No Oriente, por outro lado, sempre se acreditou que a vida seja eterna. Assim sendo, o tempo não importa, não há pressa, pois você passará por aqui muitas vezes. Já esteve aqui milhões de vezes e voltará milhões de outras vezes. Esta não é a primeira nem a última vida, apenas mais uma dentro de uma longa cadeia, e vocês está sempre no meio, pois não há início nem final. Por que, então, ter pressa? Há tempo suficiente para tudo."
às vezes me pergunto se sou digna...
encontrar o que se busca... algo que corrobore com sua tendência natural e que responda tantas questões que você sempre se pergutou... é muito bom pra ser verdade...
"será que sou digna?" não consigo deixar de me perguntar...
tudo o que sou, todos que me cercam, tudo o que somos e temos... sinto tanta felicidade em cada coisa ser exatamente como é... sinto uma alegria, que não cabe numa vida, em conseguir perceber alguns pequenos detalhe dessa obra perfeita e ter a capacidade de imaginar tantos outros...
o tesouro que reconheci me diz então que tudo está certo... tudo vai bem...
uma vozinha tenta me desfocar... grita "hipócrita! egoísta! medrosa!"... aplico o CHIEN criativo e mando "positiva! segura! realizada!"
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Vampirização

De um lado, tem True Blood, série do excelente Alan Ball. Uma série até boazinha. Mas a Sookie me torra o saco, o Lobisomem Sam é muito bobão, o Bill, o vampiro, é gatão, mas muito blé. O melhor é o Lafayette, excelente personagem, todo excêntrico, do jeito que eu gosto. A idéia de que sangue de vampiro é uma droga também é interessante. A primeira temporada foi fraca, mas a segunda tá boa.
Também estamos vivendo a mania da saga Crepúsculo, tão melada que quase gruda na mão. Acabei de ler a série outro dia. É legalzinho até, mas é bom-mocismo demais pro meu gosto. Saudade de Harry Potter, que não tinha um livro sem morte de gente legal. Enfim.
Não sei se sou só eu, mas essa história de vampiro teenager tá mei que enchendo o saco. Fora que vampiro bonzinho, apaixonado, alegre e saindo a luz do dia não me convence. Prefiro a versão sombria, solitária e com instinto assassino de outrora. Desculpem, mas deturpar uma história essencialmente de terror, a transformando em história de amor... Me enfurece.
Mas, gente. Quer ler histórias de vampiro boas de verdade vai ler Anne Rice, a escritora do magnífico "Entrevista com o vampiro". Ou, mais: vai ler o clássico "Dracula", de Bram Stocker. Arrepia de pensar.
Aproveitando esse momento vampirização: sugiro que a Globo reprise uma das melhores novelas que ela já produziu: VAMP, é claro. Já que vampiro tá na moda, vamos abusar mais um pouco.
Vamp era tudo, meu deus. Não sei porque a Globo nunca mais reprisou. Eu tinha álbum de figurinhas de Vamp, idolatrava a família Matozo, amava loucamente a personagem da Claudia Ohana e o do Ney Latorraca...
Ô Globo, exibe Vamp de novo pra nóis!
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
A tal lei anti-fumo
Os fumantes estão irados; há quem diga que é uma ditadura, mas, pera lá.
É ditadura proibir um fumante de obrigar um não-fumante a engolir todo aquele tabaco? É ditadura proibir o cigarro na balada, e que eu possa voltar com cheiro de GENTE pra casa?
Meus pais eram fumantes, e se tem uma coisa boa que aconteceu após o enfarto da minha mãe é o fato de eles terem largado esse vício. Abrir a porta de casa e aquele cheiro agradável e limpo chegar ao meu nariz é uma sensação incrível, após 22 anos de cigarro e cinzeiros por todos os lados.
Depois de ter me livrado do cheiro de cigarro em casa, começei a ficar cada vez mais irada com o povo que fuma na rua e dá baforada na sua cara.
Desculpe, mas ditadura é me obrigar a morrer de câncer de pulmão sem que eu nunca tenha fumado um cigarro na vida.
(Poxa, meus últimos dois posts estão elogiando projetos tucanos! Mas, para mim, o essencial na política é saber reconhecer o que os aliados E a oposição fazem de bom.)
sexta-feira, 17 de julho de 2009
desbotando
vizinho: oi! quer carona?
eu: não, obrigada... preciso andar... preciso... não consigo esperar ou cortar caminhos... preciso andar, descobrir por onde ando, por onde minha mente tem vagado... ficar parada ou atalhar nunca foram minhas opções... não suporto a monotonia da espera, nem a ansiedade dos atalhos... vivo, não banco a vítima, acredito em mártires, não em injustiça...
se o mundo não te engole, talvez o problema seja simplesmente com o mundo...
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foi tão desgastante... foi tão torturante... e ao mesmo tempo uma das melhores sensações que já senti... afinal de contas, quem não gosta de atingir o limite?
talvez eu estivesse longe do limite da maioria das pessoas, mas estava no limite marília de ser... fui mais longe do que poderia imaginar...
eee?
nada...
simplesmente não deu em nada...
então agora, o recomeçar, que um dia achei tão bonito, empolgante e intrigante, agora, que cheguei (ao menos muito) próxima do limite, me parece extremamente banal, sem graça, enfadonho...
passei por extremos de felicidade e infelicidade, prazer e tormenta tão grandes em intervalos de tempo tão pequenos, que agora, o incrível início, algo que sempre me agradou e inspirou, não atiça nem o mínimo da minha curiosidade mortal...
porém, são outras perspectivas... é essa a idéia... que mantém o mundo girando...
sábado, 11 de julho de 2009
Animais abandonados nunca mais
Então queria dedicar esse post à uma atitude maravilhosa da Prefeitura de São Paulo e do Centro de Zoonoses (AKA carrocinha, antigamente). Louvável.
Primeiro o comercial de tevê:
EXCELENTE. Claro que quem é desalmado continua desalmado, mas sempre ajuda. COMO alguém tem coragem de se desfazer de um animal, meu deus? Isso sem nem falar dos sádicos desgraçados que os maltratam. Alguns casos para pensar: cachorro que ajudava no tratamento de crianças vítimas de violência encontrado morto com afundamento de crânio, jovens matam cachorro a pauladas no RG e colocam o vídeo no youtube, enfim. Não valem o oxigênio que respiram e mereciam, no mínimo, que o mesmo acontecesse com eles.
Mas voltando às coisas boas: juntamente com a campanha tem o site do PROBEM - proteção e bem estar animal, com informações sobre vacinas, achados e perdidos e uma lista com foto e detalhes sobre os cães e gatos para adoção. Há uma peneira com tamanho do pêlo, idade, tamanho e sexo para facilitar. Virei fã e digo que o trabalho dos meus sonhos seria alimentar esse site. É lógico que eu passaria o dia chorando, mas seria gratificante. Eles merecem.
Afinal,
CACHORRO (e todos os outros animais também!) É TUDO DE BOM.
sexta-feira, 26 de junho de 2009
Assuntos do momento
*Decisão do STF da não-obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo.
Sou a favor.
Não quero me prolongar primeiramente porque JÁ DEU, depois porque meu tio fez um post excelente sobre isso, em que eu assino embaixo, e o meu comentário lá é suficiente.
Próximo.
*Eu trabalhando de novo
Pois é, voltei a ser uma trabalhadora brasileira. Em setembro vou ter contrato. A grana nem dá pra sustentar família. Não que eu queira família... Whatever.
Próximo.
*Filhasdasputagens do José Sarney
Não vale "2 reau", isso a gente sempre soube.
Próximo.
*Morte do Michael Jackson
Puta astro da música pop, você gostando ou não. Puta dançarino incrível, você gostando ou não. Mudou a música do século XX, foi uma personalidade mega polêmica. Vai fazer falta. E coitados dos filhos, que nunca viram e nem verão o pai se apresentando.
Próximo.
*Crepúsculo (Amanhecer, na real)
Assunto em voga porque finalmente saiu o livro em português. Tô no 2º livro ainda, o Lua Nova. Nada comparável a Harry Potter sob nenhum aspecto. Mas é legalzinho.
Próximo.
*Selton Mello
Tem como ser MENOS maravilhoso, por favor? O meu chuchu mais chuchuzento do cinema brasileiro está em nada menos do que TRÊS produções simultâneas no cinema: Mulher Invisível, que é interminável e meio sem graça - culpo Vladimir Brichta pela preguicinha que esse filme me provocou; Jean Charles - sim, a história do brasileiro morto em Londres, confundido com terroristas - que me dá a maioooor preguiça, mas depois dessa crítica do Sérgio Rizzo na Folha, especialmente desse teco de frase: "a interpretação forte, absolutamente mercurial, de Selton Mello." - resolvi assistir. Aí ainda tem outro filme, que chama A Erva do Rato e tem também Alessandra Negrini no elenco. Enfim. Maravilhoso.
Próximo.
*Festas juninas
Adoro. Quadrilhavinhoquentequentãopipocamilhoverdepaçocapédemolequepescariabocadopalhaço.
Próximo.
Próximo?
O que mais tá acontecendo no mundo? Ai não, Irã não, gente. Eu sei que eu tô verde no twitter, mas tô com preguiça de falar disso.
#ouvindo Save You, Pearl Jam
Ai gente.
Beijo.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
sentindo falta
acordo cedo pela manhã e sei que assim eles não o fazem... acordo cedo pela manhã e sinto a sua falta... dos meus amigos burgueses que nasceram pra rir e o melhor: gostam de rir... gostam do que fazem e não apenas procuram fazer o que gostam... que não criaram uma consciência adulta da vida... "adulto", que pode ser visto como um adjetivo depreciativo... amigos burgueses que mantém a inocência libertadora da adolescência, as visões que facilitam qualquer desafio, que me acalmam em qualquer tormenta, que sabem manter a distância e sabem quebrar as barreiras naturais do ser humano... que alcaçam todo dia um amadurecer eterno, um ponto que sabem fazer parte de uma linha, um renascer toda manhã, um adormecer todas as noites...
os amigos burgueses que me fazem pensar se o problema é comigo ou se os outros é que têm problemas... e o simples fato de considerar que talvez o problema seja com "eles" já responde à questão...
sinto falta deles, delas, com quem eu riria de qualquer forma, em qualquer situação, amigos com quem vou às nuvens num entardecer de domingo, aquele mesmo domingo que às vezes acordo sentido essa falta que demora pra ir embora...
sinto alguma falta dos meus amigos burgueses pra dividir meus muitos sonhos, pra não sentir medo do sistema, pra debochar como se não houvesse amanhã, pra debochar como se não houvessem essas manhãs, em que sinto falta dos meus amigos burgueses...
agora façam um favor e vão pro .txt da ana que esse aqui foi um produto do acaso...
terça-feira, 2 de junho de 2009
♪ I believe I can fly, I believe I can touch the sky ♪
O jornalismo sensacionalista vibra com os números de mortos, relata as história de cada uma das vítimas - o príncipe, as famílias em férias, estudantes, grandes executivos... E, lógico, relembra as grandes tragédias já ocorridas. Mais importante ainda: quer ser aquele que vai descobrir o porquê da tragédia. Leva à tevê e aos rádios os mais diversos especialistas, físicos, meteorologistas, pilotos, especialistas em segurança, vítimas de outros acidentes, de tudo um pouco.
O fato é que a cada tragédia aérea o cidadão médio incorpora um novo conhecimento aeronáutico. Já aprendemos sobre:
* flaps, instrumentos nas asas que auxiliam na sustentação do avião no ar. No Fokker-100 da TAM, vôo 402 com destino ao Rio de Janeiro, em 1996, os flaps das asas do avião falharam durante a decolagem, e o avião caiu 10 segundos depois no meio do bairro que cerca o aeroporto de Congonhas. 99 pessoas morreram.
* radares, controladores aéreos, que deveriam ter previsto a colisão entre o jatinho legacy e o Boeing da GOL, vôo 1907, que ia de Manaus a Brasília em 2006. O radar do Legacy estava desligado, e os controladores aéreos que operam em Brasília não conseguiam fiscalizar a área em que os aviões se encontravam; a área era uma espécie de "buraco negro". O jatinho saiu praticamente intacto da colisão, mas o Boeing se despedaçou em pleno ar, dizem os especialistas que as 154 pessoas que estavam no vôo morreram durante a colisão, em segundos, tamanho o impacto.
* reversor, que é um instrumento importante que auxilia na desaceleração da aeronave. Um dos reversores do vôo 3054 em 2007 não funcionou. Também falou-se muito na época a respeito dos grooves, que são ranhuras no chão da pista, cuja presença em Congonhas poderia ter auxiliado o Boeing da TAM, vôo 3054 vindo de Porto Alegre, a frear, evitando aquela desgraça toda que tirou 199 vidas.
Agora, com esse novo acidente do Airbus da Air France, vôo 447 que saiu do Rio com destino à Paris com 228 pessoas a bordo, estamos aprendendo principalmente sobre fenômenos meteorológicos. Zona de Covergência Intertropical, uma região próxima à linha do equador com constante mau tempo; que certos raios tem tamanha energia que podem ser comparados à bombas; que aviões estão preparados para mau tempo, que a fuselagem dos aviões são condutores elétricos, os raios passam por toda a fuselagem e saem por algum dos extremos do avião - ficou confuso, né? - mas veja esse vídeo impressionante (38' é quando aparece) que você vai entender exatamente o que estou querendo dizer.
Particularmente, com a minha vasta experiência em vôos aéreos como passageira, acho difícil que um raio ou o mau tempo sejam os responsáveis pela queda do avião. Isso NUNCA aconteceu. Além disso, outras dezenas de aviões passaram pela mesma área em que o avião se acidentou na noite de domingo. Pode ser que algum aparelho do avião não estivesse muito bom, e o mau tempo tivesse danificado de vez, mas sei lá. Quem sou eu pra falar isso? Mas depois desse vídeo do raio aí em cima, acho ainda menos provável que o mau tempo seja o responsável pelo acidente. Alguns especialistas já dizem até em atentado terrorista. É absurdo, mas é tão plausível até agora quanto qualquer outra possibilidade. O problema é que o avião caiu no meio do Oceano Atlântico, em regiões cuja profundidade do mar chega a 6 mil metros. Ou seja: a caixa preta vai ficar para a História, assim como os corpos e as evidências.
Ok, tem havido até que bastante acidente aéreo ultimamente. Mas não tem porque temer entrar num avião. É um medo absurdo, esse. É lógico que incomoda saber que você não pode fugir pra lugar nenhum, se alguma coisa acontecer a chance de sobrevivência é pequena, ao contrário do que acontece num acidente automobilístico.
Eu já estive em 2 acidentes de carro. Em 1 como agente passiva, digamos, só observei a desgraceira toda, 4 carros batendo em efeito dominó na Rodovia Carvalho Pinto, em São Paulo, o meu carro era o 5º, e só escapamos da colisão por termos feito a curva bem fechada), no outro batemos a uns 60 Km/h num muro de cemitério (yeh, baby!) e eu bati a cabeça meio de leve no teto, no dia seguinte tinha uns roxos no meu corpo, mas tudo ok. Os outros 2 ocupantes também ficaram com um roxo ou outro. Dificilmente eu sobreviveria a 2 acidentes de avião.
Viajo desde pequena. Meu avô trabalhou na KLM e na Vasp por décadas, meu pai é doente por aviação e viagens. Sempre estive em aviões. Conheço o Brasil todo, partes da Europa, África do Sul, Canadá, boa parte da América Latina... Tudo by plane, lógico.
Não tenho noção de quantas vezes já voei de avião, mas certamente foram bem mais de 100.
A única situação que me subiu a adrenalina foi numa viagem em 2005 à Santiago., no Chile . Cruzar a Cordilheira dos Andes, com seus 4 a 5 mil metros de altitude, é uma sensação magnífica, um quadro belíssimo, mas rolam uns ventos absurdos. Pegamos uma turbulência feia, me sentia numa montanha russa, até com aquele frio no estômago típico quando era nítida a perda de muitos metros de altitude. Me deu uma vontade louca de rir, porque muita gente no avião gritava. Durou uns 15 minutos. Meu pai diz que foi a pior turbulência que ele já pegou, e olha que ele já vôou, viu. E como.
[Nossa, como sou prolixa]
O que estou tentando dizer é que avião É seguro. Acontecem tragédias de quando em quando, ok, mas e acidentes de carro? Calma, pára tudo, fui googlear a estatística de acidentes de carro e deu isso aqui do Yahoo Respostas: Se avião é seguro porque cai sempre? Oi? SEMPRE cai? Isso que me irrita, essa ignorância horripilante da população. Sabem quantos vôos pousam e decolam DIARIAMENTE do Aeroporto de Guarulhos? 475, quase 20 aviões por hora pousam ou decolam daquele aeroporto! A Fonte é da Infraero, se quiser checar. 475 por dia, a gente multiplica por 365 dias por ano (Aeroportos nunca fecham. Cheguei de Bariloche uma vez às 0h05 do dia 1º de janeiro) e temos quase 180 mil vôos por ano! E aí vem um BABACA dizer que avião sempre cai? Gente assim nem merece conhecer outras culturas. É o tipo de gente que tem despreza o diferente. Tem que viver sua vidinha ordinária em um lugar só, descer pra praia de vez em quando e acabou. Esse tipo de gente está condenada à mesmísse e à ignorância.
Enquanto isso, morrer num acidente de carro responde por 4% dos óbitos no Brasil, conforme consta neste artigo do Ministério das Cidades. Carros matam mais do que guerras.
Para pilotar um avião, é necessário diploma e muitas horas voadas. Para ter carta de motorista, é só pagar R$ 400,00 e tá pronto. Pensem nisso.
Termino com esse parágrafo interessante de uma notícia publicada na Folha Online em 2000:
A frequência de acidentes fatais em jatos comerciais é de cerca de uma em cada 1,4 bilhão de milhas voadas. As chances de se envolver em um acidente de avião em que haja muitas mortes é de cerca de uma em três milhões. Por outro lado, cerca de 400 mil pessoas são mortas anualmente no mundo em acidentes em estradas. O número de feridos neste caso é de 12 milhões.
Agora vamos aproveitar que o dólar tá a R$ 1,94 e vamos viajar, vamos fazer a roda da economia mundial girar através do turismo.
Ah, voar de avião é prático, mas não é a coisa mais agradável do mundo. As poltronas são desconfortáveis, a despressurização deixa o ouvido sensível, a comida raramente vai além da barrinha de cereal (em vôos curtos, lógico). Dicas: para evitar a dor no ouvido, engula saliva com força e certa frequência. Leve algum petisco. Nunca se sabe o que vão servir no avião. Garrafa de água para não secar a boca também é importante. Um agasalho a bordo, sempre! O ar condicionado sempre surpreende. E uma boa leitura faz milagres. Sempre engolindo saliva, gente.
terça-feira, 26 de maio de 2009
acordei um pesadelo
nem me lembro a última vez que considerei um sonho um pesadelo...
hoje tive dois sonhos... o primeiro (até 4:30) não foi divertido, ou melhor, a sensação que me acordou não foi divertida...
foi bastante monótono, em tons de cinza, personagens principais: eu, minha irmã e minha mãe... resumindo bastante: eu e minha irmã iriamos fugir de casa quando meus pais fossem sair de férias (pela primeira vez em anos) para o Havaí... íam passar quatro dias, eu e mana fugiríamos no primeiro dia de viagem, já tinhamos arrumado a mala e tudo o mais... não podíamos nos despedir pra não dar bandeira, então no caminho do aeroporto fomos nos despedindo mentalmente, meu pai já estava lá...
acordei...
fiquei enjoada... um turbilhão de idéias veio à minha mente...
sabe, acho que não conheço nenhum idoso/idosa que não tenha família... o que acontece com essas pessoas?
primeiro eu pensava que as pessoas tinham filhos pra nutrir seus complexos de deus sabe... "ah se fosse meu filho seria assim assim e assado"... daí então pensei que talvez pudesse ser simplesmente parte do processo natural das coisas: nasce, cresce, se reproduz, envelhece e morre... ou por medo da própria morte... daí acordei hoje desse sonho... com a boca esquisita, enjoada...
as pessoas criam família por medo da velhice... já tinha ouvido falar que essa é a chave da imortalidade: passar seu gene pra frente... mas não é exatamente só isso... tem a ver com o medo desse futuro frágil que nos aguarda... quando estivermos velhinhos e cansados, doentes e até machucados, quem sabe, quem vai cuidar de nós?
nós, da geração pós-multi-mistura, que aumentou horrores os níveis de sobrevivência das crianças e criou um inchaço na piâmide etária brasileira, justamente na qual cresci, somos parte desse excesso... nós nos formamos e conseguimos diplomas, praticamente obrigatórios, pra depois ser subempregados, justamente por causa desse inchaço descontrolado... hoje, os que tem entre 20 e 30 anos, farão parte de uma população idosa enorme! aposentadoria adiós, como já sabemos, e quem vai ter paciência pra cuidar da gente? quem tem saco ou grana? daí que mais uma vez percebi como é mancada matar alguém e como pode ser frágil um plano, vc vai lá e tem um filhote, pensando "po, belezera, agora tem alguém pra me amar até o fim da minha vida" e daí seu filhote pega e se revolta e nunca mais da as caras? ou então chega um idiota e pá, acaba com a vida do seu filho?
daí fiquei nessa linha idiota de pensamento, extremamente icomodada rolando na cama (juntando isso à minha dor fodida de LER no braço direito, aumentando meu medo d ser uma velhinha com dores, dependente de alguma alma caridosa)... troquei de travesseiro, deitei e olhei pro relógio: 4:59, hora de ter um sonho bom...
segundo sonho... uma casa de campo super afastada, uma família buscando um dos filhos: desaparecido.
Apareço pra ajudar a procurar, o encontro no primeiro lugar que imaginei, no único lugar que não procuraram: no seu próprio quarto... debaixo da cama tinha uma cama menor, debaixo dessa cama menor estava o garoto, totalmente possuído escrevendo coisas malucas num papel... se eu ver o papel novamente saberei exatamente o que era... 84, o desenho sempre se resumia no número 84...
Fui pra fora e olhei o céu, o sol se punha, mas o céu estava esbranquiçado, olhei pra dentro e o menino (uns 17 anos) ainda rabiscava loucamente o papel, percebi que eram coordenadas, alguém estava chegando... olhei pro céu novamente, nuvens em forma de triangulos iam aparecendo por trás das árvores, iam escurecendo uma sobre a outra, como se estivessem guiando uma luz difusa e crescente que eu conseguia ver atrás da mata.
Entrei e disse: eles estão chegando, nada de pensamentos ruins hen? eles podem ler sua mente, então pensem apenas coisas boas, são apenas visitantes.
A avó disse que sentia medo, eu disse: medo não é ruim, porém desrespeito é. nada de pensamentos violentos ou maléficos, apenas pensamentos bons ou neutros.
o "disco" pousou no quintal. todos saíram pra ver... do disco desceu uma outra família, 4 meninos (todos muito bonitos, cabelos pretos curtos, sobrancelhas grossas e maxilares bem quadradões), 6 meninas (todas lembravam mto a amy smart, mas com o cabelo castanho claro liso e reto no ombro), um pai e uma mãe, desceu uma mesona de madeira, a mãe colocou as coisas na mesa e eles começaram a jantar, olharam pra gente (todos abobalhados), sorriram e continuaram a jantar...
Passados alguns dias tudo corria bem, a família se comunicava e nós obedeciamos os pedidos... sentíamos o enorme poder dos visitantes embora não tivessem feito nenhuma demonstração explícita, mas era claro que estavamos sob sua guarda...
entrei numa espiral e vi uma roda de pregos enorme flutuando, em cima das cabeças dos pregos, em duplas, as pessoas da família terrestre, incluindo eu, faziam malabarismos, tentavam se equilibrar e não cair no fundo azul infinito, percebi que ía acordar... dois minutos depois ouvi o pedreiro aqui da construção do lado bater no prego... kkk
acordei tranquila, a vida é só um teste, assim como os n-tests que a coréia anda aprontando, a qualquer momento desce uma nave de neguinhos de outros planetas no quintal, e a grande preocupação com a velhice se desfaz como bala de coco na boca ^^
po, nem re-li, desculpem os erros, ando desacostumada com teclados...
ps: entaooo, fiz uma pesquisa de campo com pessoas experientes na área, aka: mães.
primeiramente ouvi q ser mãe é uma coisa natural, é uma coisa necessária pra perpetuar os mamímeros humanos... daí falei q po, seis bilhões e bolinha, se for pensar assim acho q já deu né? fora que é tudo ser humano, vc pode adotar, cuidar e talz... e então veio a resposta realmente do coração, rolaram até lagriminhas viu, que a maternidade é uma coisa única e linda e coisa e tal, não tenho nem o que rebater quanto à isso pq realmente é nessa visão romântica que se apoiam as mães que planejam seus filhotes... daí coloquei essas outras teorias, medo da morte, medo da velhice e coisa e tal, mas daí ouvi que ninguém pensa nisso quando planeja seu bebê... e realmente é um pensamento bem ordináriozinho né? :P prefiro a idéia das mamães fofas e romântiques viu ^^
ainda ouvi q uma velhice sem familiares deve ser triste, independente de mtos amigos e dinheiro, os laços familiares proporcionam coisas q essas outras relações não dão... pessoas q envelhecem sozinhas vivem menos... acho q nao é nem "menos" mas com "menos qualidade"... sempre pensei que seria uma velhinha sem família, deu medinho, mas tenho irmã, primo e amigos em quem acredito, e existe muito chão pra percorrer ainda... vai que aparece uma paixão ou um ovni ^^
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Discussão sobre o tipo de estudante de jornalismo que está entrando no mercado
Desculpe, mas é força do hábito. O impulso me fez generalizar. Na verdade, a universidade é boa. A PUC é bem conceituada, tem tradição, professores bem preparados. Eu sei que o Direito da PUC é ótimo, assimo como todos os cursos mais tradicionais. Mas o jornalismo é uma merda. Quanto a isso não há dúvida. E não é exagero e nem generalização. A maioria do pessoal que estudou comigo assinaria embaixo.
Foram 4 anos de ENROLAÇÃO. Várias matérias sem sentido, professores medíocres que gastavam o tempo de aula inteiro para falar inutilidade (momento histórico: professora de filosofia falando sobre câncer na vulva), professores que não apareciam para dar aula... A rigor, eu não sei o que é ME ESFORÇAR desde o final do 3º colegial. Levei a faculdade na flauta. No meu curso mal teve prova, e quando tinha era dissertação/enrolação. Sinto falta de responder questões.
O curriculum do curso era absurdamente falho. Tanto que dois anos após entrarmos, um novo curriculum foi aprovado, com aulas que contemplavam até montagem e atualização de blogs. Isso sim é matéria útil. Aconteve que eu ainda peguei o curso velho.
Daí que as aulas que eu mais gostei na faculdade não eram específicas do jornalismo. Tipo Fonoaudiologia e Direito. Sim, adorei Direito. Me chamem de conservadora, quadradona, mas eu gosto é de aulas dadas do modo tradicional. Essa história de deixar a sala ficar discutindo por horas, dias, meses a fio sempre me irritou. Às vezes é super válido, mas ser esse o único método de aula faz parecer que rola um total desinteresse do professor. Eu gosto de aula em que o professor escreve na lousa e a gente tem que copiar, em silêncio. E apenas Direito era assim.
Eu nunca entendi muito bem como a PUC era conceituada em jornalismo, com aquele monte de professor picareta (salvas poucas exceções) e aulas antiquadas. Aí falavam: UNIbairros da vida tem estrutura, tem disciplina, tem matérias atuais. Acontece que só dá cabeça oca. É um processo de modelagem, e não de aprendizado. Os alunos são treinados para fazer um texto com um formato pré-definido. Mas pensar e questionar não faz parte do que lhes é passado. E é essa a diferença crucial da PUC. A nós SÓ é passada a mania de pensar e questionar. Querendo ou não, a gente lê bem mais do que um aluno de uma Uninove ou UNIP.
Acontece que só tive a prova definitiva de que isso era verdade numa entrevista de emprego que eu fui semana passada.
Um teste com várias perguntas nos foi passado. Além de ter que escrever um release (coisa que UNIPs da vida são condicionados a fazer bem, mas eu nunca aprendi), tinha que responder perguntas simples, mas que requerem uma mínimo de bagagem cultural, coisa que UNIbairros não trabalham em seus alunos.
Na primeira questão, deveríamos responder quem inaugurou o conceito de livro-reportagem que provou que não-ficção poderia ser tão literário quanto ficção. Eu não li o livro ainda, e não me orgulho, mas se tem uma pergunta que QUALQUER jornalista puquiano sabe responder... É essa. A resposta? Se você é estudante de jornalismo ou já formado e não sabe, você DEFINITIVAMENTE precisa ler. Faça uma pesquisa na internet e descubra. Ou grifa aê: "A sangue frio", do Truman Capote.
Em seguida, perguntas sobre livros que você leu, filmes que você viu, peças de teatros que assistiu. E uma lista de pessoas famosas para responder o que elas fizeram. Na lista nomes como Dilma Rousseff, Ana Carolina Jatobá, Aécio Neves, Protógenes de Queiroz (outro nome que qualquer jornalista puquiano que se preze saberia responder), Dorothy Stang... Também uma lista de cidades, para falar em que estado ficava.
Ou seja: um teste ABSURDAMENTE FÁCIL.
Mas na saída eu percebi pessoas conversando e reclamando que o teste era muito difícil. Difícil? É difícil responder onde fica Presidente Prudente? Ou Londrina? Blumenau, Manaus, São Luís? Sério, gente, em que país esses jornalistas recém-formados vivem? E o que mais me espantou: NINGUÉM dos que reclamavam havia respondido à primeira pergunta, aquela do autor do gênero de livro-reportagem tal como o conhecemos.
A essa altura nem se trata do emprego em si. Nem é o trabalho dos meus sonhos, definitivamente. Mas, sério, gente, que vergonha alheia desses jornalistas que estão entrando no mercado. VÃO LER, peloamordedeus.
Não que eu seja um exemplo, longe disso, há falhas dantescas no meu eu intelectual, mas eu sei raciocinar, pelo menos. E tenho orgulho em dizer que os puquianos, do jornalismo eu garanto, também sabem, por mais doidões que sejam.
Ou seja: por pior que tenha sido o curso, me formei no lugar certo. Poderia ter sido bem pior.
Eu poderia não saber quem é Gay Talese, poderia nunca ter lido "Rota 66" e muito menos ter devorado o excepcional "Notícias do Planalto". Certamente eu nunca teria lido John Reed e nem os livros-reportagem do Gabriel Garcia Marquez. Não teria lido várias biografias do Ruy Castro. E poderia, vejam só, nem saber o que é o new journalism e nem o que diabos Truman Capote fez!
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Cinema, séries... "A Sete Palmos"!
nossa, estou com vergonha do tempo sem atualizar esse blog. Divulgo o endereço dele no orkut, no twitter, até no meu e-mail, para alguém entrar aqui e se deparar com atualizações de 1 mês atrás? Ai, que feio, Ana.
Enfim. Ando assistindo muitas séries. Não chego a ser uma viciada, daquelas que assiste várias simultaneamente, ainda sou muito inexperiente no "ramo". Mas sempre que assisto algum episódio lembro das minhas aulas de Cinema (não lembro o nome exato da matéria) com o Cypriano, um cara bem bacana que dá, além das aulas relacionadas à história do cinema, uma optativa de Artes Plásticas lá na PUC.
As aulas eram basicamente seminários. Eu fiz sobre Gláuber Rocha e Stanley Kubrick, e devo dizer que os aprendizados adquiridos nessas aulas são alguns dos mais sólidos em 4 anos de faculdade. Mas já começo a divagar.
Voltando: o Fábio Cypriano (procurem no Google, ele é bem conhecidinho) é daqueles que criticam impiedosamente o cinema nacional e aquele tipo de cinema feito com linguagem publicitária. É só lembrar que Fernando Meirelles, dentre outros cineastas de nome, são publicitários. O Cypriano defende que o cinema hollywoodiano (e o brasileiro, também) estão impregnados de linguagem publicitária. E sabe para onde foram os diretores de cinema que não cedem à pressão mercadológica?
SÉRIES!
Olha, eu adoro cinema nacional, até gosto da linguagem publicitária (numa dessas aulas o Cypriano mostrou aquela cena de "Babel" em que a japonesa surda-muda vai a uma discoteca. A luz do lugar pisca com flashs, assim como o som, mostrando simultaneamente a visão da surda-muda e das pessoas "normais". Em seguida, o Cypriano mostrou uma cena de uma comercial qualquer. Surpreenderia se eu dissesse que a cena do filme é praticamente idêntica a metade das peças publicitárias de celulares?). Ok, jornalistas, me odeiem. Não ligo.
Enquanto isso, as séries são um refúgio para diretores "não-corrompidos". Eles se expressam como querem, não tem merchandising (pelo menos escancarado)... Há tantos canais pagos... O público é mais amplo, mais cabeça aberta.
Daí eu fui assistir "Six Feet Under", que passou na HBO (dizem que é lá que são produzidas as melhores séries) entre 2001 e 2005.
É difícil pensar em qualquer ponto negativo da série, "A Sete Palmos", em português. Eu a conhecia mas tinha certa ojeriza por tratar de assuntos mórbidos. Mas como eu estava enganada! Então, lá pela 3ª temporada, descobri que o Alan Ball, o escritor, é o roteirista do filme "Beleza Americana", que é um dos meus prediletos.
Por mais que no filme questões complexas - como homossexualidade, machismo, infidelidade, drogas - sejam tratadas, a profundidade não chega perto do que é feito na série. Lógico, o filme tem 2h. A série tem 5 temporadas de 12 episódios, cada um com 50 minutos.
"A Sete Palmos" é sobre o cotidiano de uma casa funerária e a família que é dona dela. Nem vou tentar resumir, porque corre-se riscos...
Antes eu achava que eu tinha cabeça aberta. A série provou o quanto sou cabeça aberta. Metade das pessoas que eu conheço não conseguiria assistir aquilo. Ficariam vidrados - negativamente, é claro - na putaria explícita, mas, gente, tem tanto sentimento em tudo... São causas JUSTAS, por assim dizer. Por mais tabu que sejam. Cada personagem te envolve...
O que dizer do casal gay? Absurdamente apaixonante. Cenas tórridas de romance homossexual, gente fumando maconha episódio sim e outro episódio também, conflitos, solidão, infidelidade... E tudo relacionado à casa funerária.
Pode parecer que é apenas uma série "porra-louca", mas é tudo tão profundo, tão PARTE dos personagens! Não dá para fazer julgamentos precipitados. E eu sei que você, que não assistiu a série, está fazendo. Então baixe a série clicando aqui e tire suas próprias conclusões.
E ontem finalmente vi o último episódio. Na verdade, assisti aos 5 últimos episódios de uma vez. Faltando 3 para terminar, eu já chorava incontrolavelmente. No último... Bom, o Alan Ball SABE tocar fundo. Assim como eu sai do cinema, após "Beleza Americana", soluçando (como 80% do público presente), com o fim de "Six Feet Under" continuei chorando por mais de meia hora. Meu deus. MELHOR FINAL DO MUNDO. Arrepio de lembrar.
Falando de outras séries... Já assisti "Dexter", sobre o serial killer justiceiro, com o mesmo Michael C Hall que faz "A Sete Palmos". Achava que não fosse gostar... pfff. Excelente. Acho que assisti a 2ª temporada em apenas um dia, tão viciante que era.
Também vi "Prison Break", outro que eu tinha um certo preconceito, por ser tão... masculino. Pra que? Vício de não conseguir assistir sem apertar alguma coisa bem forte, tamanha adrenalina. Tenho assistido Lost, que não me pega taaaanto, mas é bacana. Vi Heroes e felizmente desisti. Assisto esporadicamente "Friends" e "Sex and City" na TV, mas aí é sitcom, é diferente.
E tô indo ali puxar "True Blood", a nova série do Alan Ball. Porque me conquistou o cara.
Ops, ficou enorme. Malz aê.
terça-feira, 3 de março de 2009
Benjamin Button: quanto vale? - etc e tal.
Jurei pra mim mesma que esse ano eu iria voltar a ir bastante ao cinema, como fazia nos idos de 2005, 2006 e 2007, quando eu chegava a assistir filmes cerca de duas vezes por semana. Maaaaaaaaaaas... Esqueci de um detalhe: não sou mais estudante, ou seja, não tenho mais direito a desconto de 50%. Ou seja², simplesmente não rola pagar R$ 15 numa sessão segunda-feira a tarde (perto de onde moro tem sessão que chega a R$ 30 no fim de semana!). E tipo, sorry, mas nenhum filme que está em cartaz me anima a ponto de gastar tanto. E-mule tá aí, né, gente. É feio e não tem o tesão de ver numa tela grandona, com som bem legal, no escurinho... Mas, é de graça. Depois reclamam da pirataria! Cobra menos então, poxa.
Quanto a shows... Já era caro com desconto de 50%. Não tendo mais esse benefício... Esquece. Todos os shows que me atraem não chegam a valer o que custam. Na verdade, só pagaria R$ 200 em concertos de bandas que não mais existem.
Mas ontem, depois de 6 meses de abstinência, fui ao cinema, uma amiga pagando o meu ingresso. Sessão das 21h50 no Shopping Eldorado, segunda-feira, meia dúzia de gatos pingados, literalmente.
Filme: "O Curioso Caso de Benjamin Button". Adoro que quando nos venderam os ingressos deixaram claro que a sessão tinha 3h - e carimbaram no ingresso a palavra "AVISADO" hahaha!
Bom. Como eu previa, não vale R$ 15. Eu acho a idéia do filme excelente. Quem nunca leu aquele texto do Charles Chaplin que vira e mexe a gente recebe por e-mail (colado na geladeira da Umah, inclusive) que diz que a vida deveria começar pela velhice e terminar num belo orgasmo? Pois é. Daria pra fazer um filme incrível...
Mas ele começa bem bom. A gente se empolga. Tem diálogos interessantes, um pouco de humor, um pouco de drama, tudo bem dosado. Mas chega nos 40 min de filme e você já se sente desconfortável, com a nítida sensação de que o diretor, que não tô afim de googlear o nome, tá enchendo linguiça (sem trema!) abundantemente.
E a partir desse ponto, a descida é ingreme. Não engrena mais, só fica naquele lenga-lenga amoroso. Malditos filmes que tem temas ótimos mas que enfiam horas de romance chato por acharem que sem história de amor o filme não vende.
Para quem viu, acho que até a parte em que o Benjamin está na Europa, antes de voltar pra Nova Orleans, é excelente. Desse ponto em diante, para não dormir, fiquei comentando com a minha amiga sobre a maquiagem, os efeitos especiais e o excesso de botox que enfiam no Brad Pitt.
Não me espanta o filme ter ganho Oscar pela maquiagem, pelos efeitos especiais e pela direção de arte, realmente mereceu. Mas o que é uma maquiagem sem um filme empolgante? Nem sei COMO "Benjamin" chegou a concorrer a melhor filme.
Aliás... E o Heath Ledger ganhando Oscar como ator coadjuvante? Mereceu, mas, cabe uma pergunta: "Batman - the dark knight" faria esse sucesso todo e Heath ganharia o Oscar se não tivesse morrido? D-U-V-I-D-O. Incrível o poder marketeiro de uma bela desgraça.
Para terminar: acaba de sair na Folha Online a notícia de que "Se eu Fosse Você 2", do Daniel Filho (continuação daquela água-com-açúcar em que Tony Ramos e Glória Pires trocam de corpo) é o filme nacional mais visto até hoje. Em 9 semanas em cartaz, segundo a nota da Folha, a fita foi assistida por 5.324.387 espectadores, quebrando o recorde que anteriormente pertencia a "2 filhos de Francisco", de Bruno Barreto.
Olha, sou louca por cinema nacional, acho super legal que passem a ser mais assistidos. Mas, poxa, tem que ser um tão exclusivamente global? E besta? E, pior, continuação?
Eu assisti o primeiro filme, "Se eu fosse você", achei bonzinho e só, bem no nível de qualquer outro que passe na "Sessão da tarde". Também vi "2 filhos de Francisco", que me surpreendeu positivamente. Não vi "Se eu fosse você 2", nem pretendo. Gente, tanto filme nacional ÚTIL por aí...
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
raindrops keep falling on my head...
abro o guarda-chuva, mas não guardo realmente nada...
libero os pensamentos... me libero dos horários... me libero de compromissos... libero até mesmo minhas lágrimas bem comportadas pra dar uma voltinha...
penso na sociedade... na nossa educação social... em como tentamos driblar qualquer obstáculo da natureza, até os mais inofensivos... "a natureza busca equilíbrio, o homem o excesso"...
algo me diz que classificar o mundo entre "natureza" e "humanidade" não é a melhor escolha... os dois são parte de um todo, porém, apenas um precisa do outro...
de qualquer forma, lutamos e trabalhamos diariamente contra qualquer "incômodo natural" que possa afetar nossa "felicidade artificial", condicionada, nossos ideais socialmente aceitáveis...
caminhar até sua casa... correr o risco de se molhar... correr o risco de se machucar... correr o risco de ficar sozinho... correr o risco de refletir...
hoje, mais do que ontem, podemos resolver de formas diferentes qualquer risco que a natureza nos proporciona...
trabalhamos duro pra isso...
trabalhamos duro pra conquistar/comprar as facilidades que nos convém...
e, humana, não posso deixar de me perguntar: e eu?
sou parte disso? direta e indiretamente? me rendo? me vendo? trabalho loucamente pra conseguir comprar o carro do ano e não me molhar no caminho de volta? dôo dons por algum trocado e negocio cruelmente minha liberdade em troca de conforto?
a natureza está aí, está bem aqui! salve-se quem puder! quem não puder será pego, medido e julgado pelos demais... por, nada mais nada menos, que seus próprios irmãos, seus semelhantes...
domingo, 8 de fevereiro de 2009
virtude x instinto - vol I
a todo momento batalhas são travadas... a incessante luta entre virtudes e instintos...
não pode haver mais de um vencedor... não deve haver... não que exista o bem e mal, mas não deve haver oscilação... não pode haver alternância de poder, a batalha só pode ter um superior: a virtude, e, a partir do momento que o instinto se sobrepõe: adeus, não há retorno...
estive guerreando... ontem, agora me parece tão distante... por horas minhas virtudes venceram, era uma vitória eminente, até quem me cercava, assistindo a batalha, já comemorava... eu era vitoriosa... vitória, palavra irônica pra ser usada nesse caso...
o instinto me parecia tão fraco, chegava a me dar dó de ser um oponente tão simplista, tão imediatista, repetitivo, sem criatividade, de certa forma até inocente, pensava eu...
"eu sei, mas hoje não!"
"se não hoje, quando?"
"isso eu não sei..."
traiçoeiro... um oponente sujo... sorrateiro... me entreteu horas a fio... minhas forças já praticamente dispersas e guardadas graças à vitória tão certa... um golpe... apenas um golpe...
o que antes parecia fraco, parecia despreocupante, parecia até mesmo sob controle, mostrou suas garras e fui posta à prova... perdi... mil vezes: perdi...
me entreguei ao instinto... me deixei levar no momento final... compreendi então que o inimigo estava atacando a todo momento, por baixo do pano... frio e calculista estava apenas me entretendo, jogando comigo, me fazendo seu brinquedo para, num momento de total distração e gozo da vitória prematura, vencer com um golpe... um golpe sujo... suja... fraca... mil vezes: fraca...
não vai importar as horas que resisti... eu não tive coragem, habilidade, firmeza para dar o golpe final... mantive a "educação", a "consideração" e os instintos se apossaram do meu corpo...
só eu sei a amargura das lágrimas contidas... a desmotivação e a autoflagelação que se instalaram desde então no meu ser...
não há caminho de volta... aconteceu... me arrependo enormemente, mas aconteceu... não há mais o que possa ser feito, nem desculpas a serem dadas, nem promessas, nem juras... sobram sonhos comprometidos... mas nada, além da derrota, será considerado...
"você se rendeu."
"eu lutei!"
"mas se rendeu..."
dói... muito...
a natureza me castiga...
apenas agradeço a lição... a oportunidade...
e espero a compreensão... a libertadora compreensão... mãe de todo o bem...
nunca pensei que realizar um desejo antigo e esquecido pudesse trazer tanto tormento...
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
A arriscada aposta da Globo com "Caminho das Índias"
Vocês acham mesmo que o cidadão médio brasileiro entende essa história de castas e brâmanes? De Kama Sutra, Krishna, Brahma? Pro brasileiro comum, Kama Sutra é candelabro italiano, e não leis hinduístas que ensinam sobre relacionamentos e formas de prazer de modo a ter uma vida mais completa. Krishna é gente de cabelo raspado e roupas laranjas que vendem incenso na Paulista, e não uma representação de um dos deuses do Hinduísmo. E Brahma... Brahma é cerveja, pô, e não o principal deus na Trindade hinduísta.
E, pior: o cidadão médio brasileiro (a sua manicure, o porteiro do prédio, a recepcionista do seu trabalho, os idosos da fila do INSS, seu avô imigrante que não terminou os estudos e trabalhou desde a infância, a caixa do supermercado...) entendem essa história de vários deuses? Se "Caminho das Índias" fosse sobre a Arábia Saudita, por exemplo, o roteiro teria que lidar com o Islamismo que, por mais distante dos costumes cristãos, no fim das contas é bem parecido: tem a mesma raiz e, o mais importante, é monoteísta.
Francamente: uma boa parte das pessoas ditas cultas - aquela ridícula fatia de 2% da população que concluiu o ensino superior - não sabe nada sobre qualquer religião que não a sua (muito provavelmente uma religião cristã). Acho que renderia uma boa pesquisa sair nas faculdades do Brasil afora fazendo perguntas sobre budismo, islamismo, hinduísmo.
E aí Glória Perez toda ousada me vem falar de romances proibidos entre castas, de sacerdotes hinduístas, filosofia, tradições e costumes indianos? (Nem vou entrar no mérito da superficialidade com que a novela trata esses temas).
Olha, está longe de ser uma surpresa para mim o baixíssimo ibope dessa "Caminho das Índias". Sábado passado, dia 31, alcançou míseros 24 pontos de audiência (só como referência: "A Favorita" tinha uma média de 50 pontos)!
Gente, novela das 8 da Globo é o principal produto da cultura média brasileira (note: não estou afirmando que isso é positivo). As novelas das 8 há um bom tempo se consolidaram como um grande laboratório da cultura nacional. Nelas são lançadas as gírias e bordões que logo estarão na boca do povo. Os novos celulares que venderão como água no mercado fazem seu merchandising primeiro por lá; os cortes de cabelo das personagens ganharão as ruas; novos costumes e polêmicas são apresentados a cada novela, ditando o ritmo da vida e das conversas na sociedade.
Como disse acima, é inegável a influência da novela das 8 na sociedade brasileira. E é lógico que a alta cúpula da emissora sabe disso. Então estranho muuuito que um tema complexo como os costumes e a religião indianos sejam o foco dessa novela. Como isso foi aprovado pela alta cúpula global?
Glória Perez é cheia dessas. Lembremos as novelas recentes dela: "América" era sobre imigrantes ilegais nos EUA. Ok, qualquer brasileiro que acompanhe o Jornal Nacional (mais da metade da população) conhece o problema, mesmo que pouco entenda de geografia e menos ainda sobre política mundial. Aí teve "O Clone", em que uma parte da novela foi ambientada no Marrocos. Note: uma parte da novela, não ela inteira. E quais costumes árabes foram abordados? Dança do ventre, casamento arranjado. Not a big deal, né?
Essa "Caminho das Índias" é de longe a novela mais ousada que a Globo já produziu, já que o sucesso era um completo mistério (não pra mim, cá entre nós).
Enfim. Já faz tempo que eu queria botar pra fora isso.
Sou uma noveleira de carteirinha. Foram várias as novelas marcantes na televisão brasileira ao longo dos anos - inclusive da Glória Perez. Saberia citar os protagonistas de cada uma e seus personagens. Uma novela não precisa de muito para agradar o cidadão comum, é só fazer o mais do mesmo. Arriscar um pano de fundo totalmente novo até vai: Marrocos deu certo, lá no "Clone". Mas tocar nessa história de religião?
Não sou dona da verdade, mas eu aposto alto que logo alguma coisa vai acontecer nessa novela pra distanciar a discussão da questão religiosa. Ou então "Caminho das Índias" está fadada ao fracasso.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Cão: realmente o melhor amigo do homem
Ana Clara Lima Gaspar
Em qualquer grande metrópole mundial é possível notar a presença de moradores de rua. A exclusão social atinge até países mais desenvolvidos. Mas num país com uma desigualdade social tão brusca como é o Brasil, o problema tende a ser ainda mais grave. Caminhando pelas ruas do centro de São Paulo é impossível ignorar a quantidade impressionante de pessoas dormindo, se alimentando e vivendo nas ruas. Mas há uma coisa em que ninguém costuma reparar: na quantidade de animais que costumam rodear esses grupos de excluídos pela sociedade.
Estes marginais – no sentido literal da palavra, que vivem às margens da vida social urbana –, vivem nas ruas por diversos motivos. Alcoolismo e miséria figuram como alguns dos principais motivos. São pessoas que não tem ninguém, nem têm família: em muitos casos, foram abandonados pelos parentes. Tampouco têm companheiros. Passam seus dias à espera da compaixão da sociedade e da misericórdia divina. Definham diante de uma sociedade que não está nem aí para eles. Precisam se humilhar e pedir dinheiro para se alimentar, ou revirar latas de lixo em busca de algo que sirva como comida. Vivem na imundice e não têm qualquer perspectiva de sair do fundo poço.
Diante desse triste retrato de uma “sub-vida”, não é de se esperar que não haja alguém – além de algumas poucas instituições de caridade que distribuem sopas e cobertores durante o inverno – ao seu lado para dividir a agonia da espera pelo fim, pelo descanso eterno. Mas há sim algum tipo de companhia para esses excluídos. Os cachorros.
As cadelas de rua prenhas dão à luz a vários filhotes. Os mendigos dificilmente adotam um filhote. Geralmente os animais é que se aproximam dos humanos. Começam a seguir os mendigos, recebem restos de comida e começa, assim, a nascer uma ligação entre o homem e o animal.
As cenas que ocorrem com freqüência entre o mendigo e o cão são tocantes: o homem divide a rara comida disponível com aquele animal que é o único ser que lhe é e será fiel até o fim. Os cachorros, por mais sarnentos e mal cuidados que sejam, estão sempre ao seu lado. Os cães continuam do lado daquele que ele julga “dono” mesmo nas piores situações. Defende seu dono, não o abandona por nada, está sempre disposto a dar e receber atenção. Cachorros não reclamam da sujeira, da falta de alimentos, da sempre presente garrafa de pinga. São leais e permanecem junto ao dono independentemente do que houver.
Não é de se impressionar, por tanto, a emoção que os mendigos sentem quando algo acontece ao seu animal. Recentemente um cachorro de rua foi atropelado na Avenida Sumaré, na Zona Oeste de São Paulo. O dono, um morador de rua, ajoelhou-se no meio da rua e ficou um bom tempo debruçado sobre o cachorro morto, chorando compulsivamente, como se o cachorro fosse, de fato, a única coisa que lhe restava no mundo.
Mais uma prova da importância que o cachorro tem na vida do morador de rua é quando, nas noites de inverno intenso, os mendigos se negam a ir para albergues já que nesses locais não são aceitos animais.
Porém, nem tudo são flores. Mendigos incomodam a sociedade. Moradores de rua chocam, mas não pela miséria a que estão submetidos e sim pelo rastro de imundice que deixam. Como se eles buscassem comida em latas de lixo ou usassem a rua como banheiro público porque querem... Os cachorros também irritam a população. As pessoas alegam que os animais transmitem doenças, são agressivos, tornam a cidade mais feia e suja.
Mendigos são a mancha negra das grandes metrópoles. Recentemente, o Prefeito José Serra causou polêmica ao construir rampas anti-mendigo na região da Avenida Paulista, um dos principais pontos de lazer e comércio da cidade. Os moradores de rua envergonham as autoridades que, em vez de tentar resolver o problema da desigualdade, simplesmente passam uma massa de concreto pontiaguda na calçada, impedindo os mendigos de dormirem próximos ao lugar freqüentado por turistas e pessoas de classe média e alta.
A grande quantidade de animais abandonados pelas ruas é um reflexo da sociedade que também condena muitos serem humanos a viverem como ratos. Obviamente, existem políticas públicas para evitar que essa marginalização ocorra. Porém, como tudo o mais no Brasil, o problema só tenta ser remediado quando toma proporções absurdas.
Em
É obrigação da Prefeitura, conjuntamente às sociedades protetoras, promover campanhas de esterilização gratuitas (semelhantes as que fazem para a vacinação contra raiva) para atender, principalmente, a população que por ignorância e/ou falta de recursos, promove a proliferação dos animais que passam a viver nas ruas.
(tinha uma foto bem legal tb, mas não tô conseguindo carregar)
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Fim de uma era
Terminei um curso fraco, com muitos professores picaretas, mas que tem nome no mercado, então ok.
Estudei com gente interessante e outras nem tanto. E não, vida universitária NÃO foi a melhor época da minha vida.
Na minha banca só apareceram 3 pessoas. Não que eu desejasse profundamente um grande público, mas... Né. Isso não me afetou, no entanto. Depois de reler e ensaiar umas 20 vezes o meu texto de apresentação do tcc, mandei ver. Saiu direitinho, exceto por eu ter comido um parágrafo importante.
A banca discutiu meu título, me elogiou horrores e chegaram à conclusão de que eu tenho paixão pelo jornalismo.
nigga what?
Acabo de concluir a faculdade e não sei o que eu quero da vida. Simples assim. Continuo tão perdida como estava ao começar a faculdade, em 2005.
Deveria estar feliz, tirei 10 e talz, mas... Tô é broxada, sem perspectivas de nada. 2008 foi um ano zuado, eu tô zuada, há alguns meses me sinto o cocô do cavalo do bandido, então...
Termina, 2008!
E agora vou colocar o texto que escrevi para a apresentação do meu tcc. Ao falar mudei umas coisas, comi outras, mas na essência foi isso aí:
Boa noite e obrigada pela presença de todos! Contar com a força de vocês é realmente importante para mim.
Queria antes de mais nada pedir perdão pq boa parte da minha apresentação vai ser lida, mas é que eu não tenho uma oralidade muito boa e se soma a isso o meu nervosismo... Capaz de eu me desesperar e começar a gaguejar em alguma hora, e com uma cola isso dificilmente acontecerá.
Também queria dizer que tenho noção da quantidade de erros no meu trabalho. São erros de digitação, de diagramação, de concordância... A cada vez que abro o livro acho mais correções a serem feitas! Mas é que como era um projeto experimental, resolvi EXPERIMENTAR mesmo. Não quis terceirizar o trabalho, queria tê-lo em mãos sabendo que era meu, que tudo ali era fruto do meu árduo trabalho de meses. Então eu que escrevi, que revisei, que diagramei. E que arco com os tantos erros.
Além disso, poucos trabalhos sofreram tantos imprevistos como o meu. Tive que adiar a banca 3 vezes, tive que refazer a diagramação inteira também três vezes, tive que refazer o trabalho de vários dias em poucas horas por escrever o tcc em várias máquinas diferentes, tive que voltar várias vezes na Gráfica para arrumar coisas do livro... Sempre chegava uma hora que eu queria mandar tudo pro inferno, mas felizmente eu persistia.
Bom, como cheguei a esse tema? Meu nome é Ana Clara, e meu sobrenome é indecisão. Perguntem para a Rachel ou para qualquer pessoa que conviveu comigo no começo do ano: passaram pela minha cabeça os temas mais despropositados e diferentes possíveis. Eu tenho uma paixão louca por animais, em especial cachorros. Queria escrever sobre eles, mas... Cachorro não fala! E entrevistar pessoas que cuidam de animais não era nem de longe minha intenção. Aí pensei em escrever sobre anti-sociais, mas... Quem sou eu para adentrar o mundo da psicologia com uma bagagem de ínfimos 2 livros lido sobre o tema? Cheguei a cogitar escrever sobre blogs, um tema presente no meu cotidiano e que me interessa muito (pra quem não sabe, tenho um blog de besteiras com 1500 acessos diários), mas esse assunto já tá sendo discutido por gente bem mais especializada do que eu.
Já era maio, e nada de um insight. Era uma sexta a noite, dia das minhas orientações com a Rachel, e eu estava conversando com a Stella sobre a eleição, e que a Marta Suplicy ia mesmo concorrer... Aí ela deu a idéia: pq vc não cobre a eleição, a campanha da Marta? Meus olhos brilharam e já contei pra Rachel, que aprovou.
Porque Marta Suplicy? Pq, queiram ou não, caros amigos, tenho uma identificação forte com o PT e principalmente com o governo da Marta, do qual meu pai participou. Foi naquela época que comecei a me interessar de verdade pela política e por aquele governo polêmico e ousado da Marta. Todos aqueles projetos feitos durante a gestão dela, que foram incorporados como conquistas da população... CEUs, Bilhete Único, Uniforme e material escolar para a rede pública... Tudo isso sobrevive e foi compromisso dos candidatos manter e ampliar.
Enfim: no começo do tcc eu pretendia acompanhar de perto a cobertura da mídia. Cheguei a fazer um blog para organizar as matérias e as minhas críticas a respeito, mas em pouco tempo percebi que aquilo seria impossível: análise de conteúdo é um trabalho que requer tempo, paciência e um número maior de pessoas. Desisti.
Enquanto isso, eu passava 9 horas do meu dia numa agência de marketing, num trabalho que me agradava a medida do possível, que era estável, pagava razoavelmente bem e tinha até plano médico. Mas não tinha absolutamente nada a ver com o meu tema e minhas inspirações profissionais. O que eu fiz? Joguei tudo pro alto, deixei meu emprego, meus amigos e minha estabilidade e me joguei de corpo e alma na campanha, trabalhando na assessoria de imprensa da campanha da Marta – que eu consegui por meio de influência do meu pai, que tinha trabalhado com boa parte do pessoal que comandava a campanha. Isso era junho.
Não sei o que eu esperava, mas foi totalmente o oposto... Me colocaram no clipping, que é o acompanhamento de rádios, TV, jornais e internet, mas aquilo pouco me ajudava. Eu queria ir para a rua, viver a campanha. No começo não trabalhava aos fins de semana, e os usava para ir nos eventos. Todos os eventos que conto no primeiro turno foram nesse esquema. Então, a coisa apertou. Comecei a trabalhar aos finais de semana – sem folga alguma, é claro. Não tinha como ir pra rua, mas tinha acesso aos bastidores de tudo. Foi nessa época que comecei a me questionar sobre que linha editorial eu adotaria. Sabia ser impossível fingir neutralidade. Sou fanática por política, assim como pessoas são com futebol. E, assim como no futebol, eu também tenho o meu time. E como escrever sobre “o meu time” com neutralidade?
Mas a Rachel me abriu os olhos. FINGIR neutralidade é exatamente o que a grande mídia vem fazendo. Manipulam opiniões por meio de escolhas editoriais pouco ou nada éticas, dando mais espaço às críticas negativas a determinados candidatos ou elogiando projetos de outros. Não vou entrar muito nesse mérito, porque os exemplos são mil e todos conhecemos bem. Isso tudo eu falo na introdução.
Então, resolvi não fugir e defender meu posicionamento. Acho que isso dá maior credibilidade e honestidade ao meu trabalho, por não ser um jornalismo de panfletagem, mas um relato com críticas e elogios ao modo como a campanha foi conduzida, sempre deixando claro o meu posicionamento.
Quando começou o segundo turno, o clima já era outro. A Marta tinha terminado abaixo do Kassab, a realidade de uma cidade anti-petista que derrotaria Marta vinha surgindo no horizonte. E é aí, na minha opinião, que meu tcc esquentou pra valer. No primeiro turno eu ainda estava meio perdida, mas no segundo a vivência no campo já me contagiava, e o relato ganhou mais vida e ânimo, mesmo com as circunstâncias nada favoráveis. E também participei de mais eventos, muitos com o Lula – e foi então que eu percebi o pq dos 70% de aprovação que ele tem. Sério, mesmo para quem não gosta dele... Experimentem ouvir um discurso inspirado dele. Mexe fundo com qualquer um, o cara é foda.
Mas tiveram também os debates... E aquela campanha agressiva da Marta... A história do comercial do “É casado, tem filhos?” daria um livro à parte, não apenas pelas contradições implícitas na idéia de questionar esse tipo de coisa – o que na minha opinião só foi tão grave pq todo mundo tava pré-determinado para ver “insinuações sobre homossexualidade” no conteúdo... Mas vem cá: o Alckmin não usava a Dona Lu a torto e direito em sua campanha? E o Maluf não usou e abusou da informação de que era casado há 50 e tantos anos? Sob esse viés, parece justo perguntar sobre a família do Kassab. Mas também acho que foi inocência do marqueteiro não prever o resultado disso. Enfim, cada um tem uma opinião sobre isso, eis a minha.
E teve também o caso do CEU Vila Formosa, que o Kassab tinha colocado no material de campanha como entregue ainda nessa gestão, e a Marta chegou lá e só tinha uma terraplanagem no terreno... Era a prova definitiva de que DEM e políticas de inclusão social são mundos diferentes.
Enfim, qual é a utilidade desse trabalho? Até então, é o único relato da eleição 2008
Na real, o livro poderia ser muuuito maior. Muito maior, muito melhor... Mas esse tipo de análise a gente só consegue fazer quando o trabalho está pronto.
Além dos erros, dos imprevistos e, lógico, da derrota da Marta, enfrentei muitas dificuldades na campanha – de pessoas que simplesmente não se importavam com meus interesses e não faziam o que estava ao seu alcance para me ajudar, mesmo que muitas fizessem além do que podiam por mim, mas o que pesou mesmo foi o preconceito. Gente, eu sempre enfrentei dificuldades pela minha ideologia política. Meu círculo social é elitista e conservador. Não foram nem uma, nem duas, nem três vezes que tive de enfrentar questionamentos, desrespeito e ataques contra o meu trabalho. Falar para alguém o que era o meu tema vinha seguido inevitavelmente por alguma expressão de desdém ou de asco. Bati boca inúmeras vezes, fiz inimizades, me estressei a ponto de chorar de raiva... Como é difícil defender alguma coisa!
E aí eu ia naqueles eventos na periferia mais pobre, lugares que o pessoal que tanto fala e finge fazer jamais esteve. E via o que os governos do PT (da Erundina e da Marta, no âmbito municipal, e do Lula, no âmbito federal) significavam para aquelas pessoas. O fato de Marta ter conseguido maioria de votos em boa parte das periferias mais pobres de São Paulo mesmo no segundo turno não é à toa. E é exatamente isso que explica o título do meu livro.
Vocês vão pensar no filme “Muito além do Jardim” (ou Being There) com o Peter Sellers, mas no filme o personagem principal sai do jardim pela primeira vez. A Marta não; ela é uma representante dessa área nobre de São Paulo, é representante da burguesia conservadora e preconceituosa, mas escolheu outro caminho. Sua campanha foi majoritariamente nas áreas pobres, e são nesses lugares – muito, muuuuito além dos Jardins, do Morumbi, de Perdizes – que ela tem uma base eleitoral solidificada desde que foi eleita em 2000.
Queria falar rapidinho sobre alguns “extras” do meu trabalho. Primeiro sobre o Observatório de Mídia, uma organização que acompanhou as matérias sobre os candidatos nos principais jornais e as qualificou como neutras, ambíguas, favoráveis ou desfavoráveis. Quer dizer, a análise do material de mídia que eu queria fazer no início estava toda lá! E foi muito, muito útil. Também sobre as fotos, do César Ogata, o fotógrafo da campanha. Algumas imagens valem mais do que mil palavras, certo? Então ficam aí as fotos para contar um pouco mais do que eu já relato nos textos. E também a entrevista com o Cezar Xavier, que cobriu todos os eventos de campanha da Marta. Ninguém melhor do que ele para relatar o que sentíamos nos bastidores e ir além disso tudo.
Cada aluno se dedica de uma forma ao seu tcc, mas acho que poucos viveram tão intensamente o seu trabalho como eu. Foram 4 meses ininterruptos de campanha sem descanso. Abdiquei de vida social, física e psíquica. Abdiquei de conforto e de descanso. Mas acho que consegui meu objetivo.
Ah, para finalizar, uma pergunta que todos me fizeram: PQ NÃO ENTREVISTEI A MARTA? A resposta é simples: não senti necessidade. Lá na assessoria chegavam perguntas da imprensa e do público em geral que iam desde as impressões dela sobre a campanha até seu prato favorito, tipo de música e bairro preferido
É isso!