quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

A arriscada aposta da Globo com "Caminho das Índias"

Me digam: vocês acham realmente uma boa idéia abordar o hinduísmo numa novela das 8 da Globo? Tá, todo mundo sabe o quão essencial é uma "mudança de horizontes" numa novela, todo mundo tá cansado da Bossa Nova, da Barra e da Helena do Manuel Carlos, ou da São Paulo de Silvio de Abreu. Porém, é inegável que as histórias são sempre muito bem construídas, os atores bem dirigidos e as tramas envolventes, mesmo que sejam o mais do mesmo. Mas... Índia? Hinduísmo?
Vocês acham mesmo que o cidadão médio brasileiro entende essa história de castas e brâmanes? De Kama Sutra, Krishna, Brahma? Pro brasileiro comum, Kama Sutra é candelabro italiano, e não leis hinduístas que ensinam sobre relacionamentos e formas de prazer de modo a ter uma vida mais completa. Krishna é gente de cabelo raspado e roupas laranjas que vendem incenso na Paulista, e não uma representação de um dos deuses do Hinduísmo. E Brahma... Brahma é cerveja, pô, e não o principal deus na Trindade hinduísta.
E, pior: o cidadão médio brasileiro (a sua manicure, o porteiro do prédio, a recepcionista do seu trabalho, os idosos da fila do INSS, seu avô imigrante que não terminou os estudos e trabalhou desde a infância, a caixa do supermercado...) entendem essa história de vários deuses? Se "Caminho das Índias" fosse sobre a Arábia Saudita, por exemplo, o roteiro teria que lidar com o Islamismo que, por mais distante dos costumes cristãos, no fim das contas é bem parecido: tem a mesma raiz e, o mais importante, é monoteísta.
Francamente: uma boa parte das pessoas ditas cultas - aquela ridícula fatia de 2% da população que concluiu o ensino superior - não sabe nada sobre qualquer religião que não a sua (muito provavelmente uma religião cristã). Acho que renderia uma boa pesquisa sair nas faculdades do Brasil afora fazendo perguntas sobre budismo, islamismo, hinduísmo.
E aí Glória Perez toda ousada me vem falar de romances proibidos entre castas, de sacerdotes hinduístas, filosofia, tradições e costumes indianos? (Nem vou entrar no mérito da superficialidade com que a novela trata esses temas).
Olha, está longe de ser uma surpresa para mim o baixíssimo ibope dessa "Caminho das Índias". Sábado passado, dia 31, alcançou míseros 24 pontos de audiência (só como referência: "A Favorita" tinha uma média de 50 pontos)!
Gente, novela das 8 da Globo é o principal produto da cultura média brasileira (note: não estou afirmando que isso é positivo). As novelas das 8 há um bom tempo se consolidaram como um grande laboratório da cultura nacional. Nelas são lançadas as gírias e bordões que logo estarão na boca do povo. Os novos celulares que venderão como água no mercado fazem seu merchandising primeiro por lá; os cortes de cabelo das personagens ganharão as ruas; novos costumes e polêmicas são apresentados a cada novela, ditando o ritmo da vida e das conversas na sociedade.
Como disse acima, é inegável a influência da novela das 8 na sociedade brasileira. E é lógico que a alta cúpula da emissora sabe disso. Então estranho muuuito que um tema complexo como os costumes e a religião indianos sejam o foco dessa novela. Como isso foi aprovado pela alta cúpula global?
Glória Perez é cheia dessas. Lembremos as novelas recentes dela: "América" era sobre imigrantes ilegais nos EUA. Ok, qualquer brasileiro que acompanhe o Jornal Nacional (mais da metade da população) conhece o problema, mesmo que pouco entenda de geografia e menos ainda sobre política mundial. Aí teve "O Clone", em que uma parte da novela foi ambientada no Marrocos. Note: uma parte da novela, não ela inteira. E quais costumes árabes foram abordados? Dança do ventre, casamento arranjado. Not a big deal, né?
Essa "Caminho das Índias" é de longe a novela mais ousada que a Globo já produziu, já que o sucesso era um completo mistério (não pra mim, cá entre nós).
Enfim. Já faz tempo que eu queria botar pra fora isso.
Sou uma noveleira de carteirinha. Foram várias as novelas marcantes na televisão brasileira ao longo dos anos - inclusive da Glória Perez. Saberia citar os protagonistas de cada uma e seus personagens. Uma novela não precisa de muito para agradar o cidadão comum, é só fazer o mais do mesmo. Arriscar um pano de fundo totalmente novo até vai: Marrocos deu certo, lá no "Clone". Mas tocar nessa história de religião?
Não sou dona da verdade, mas eu aposto alto que logo alguma coisa vai acontecer nessa novela pra distanciar a discussão da questão religiosa. Ou então "Caminho das Índias" está fadada ao fracasso.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Cão: realmente o melhor amigo do homem

Matéria produzida por mim em 2006 para a faculdade. Estive lendo alguns desses textos e achei que mereciam sair do anonimato. Então bora lá:

Cão: realmente o melhor amigo do homem
Ana Clara Lima Gaspar

Em qualquer grande metrópole mundial é possível notar a presença de moradores de rua. A exclusão social atinge até países mais desenvolvidos. Mas num país com uma desigualdade social tão brusca como é o Brasil, o problema tende a ser ainda mais grave. Caminhando pelas ruas do centro de São Paulo é impossível ignorar a quantidade impressionante de pessoas dormindo, se alimentando e vivendo nas ruas. Mas há uma coisa em que ninguém costuma reparar: na quantidade de animais que costumam rodear esses grupos de excluídos pela sociedade.

Estes marginais – no sentido literal da palavra, que vivem às margens da vida social urbana –, vivem nas ruas por diversos motivos. Alcoolismo e miséria figuram como alguns dos principais motivos. São pessoas que não tem ninguém, nem têm família: em muitos casos, foram abandonados pelos parentes. Tampouco têm companheiros. Passam seus dias à espera da compaixão da sociedade e da misericórdia divina. Definham diante de uma sociedade que não está nem aí para eles. Precisam se humilhar e pedir dinheiro para se alimentar, ou revirar latas de lixo em busca de algo que sirva como comida. Vivem na imundice e não têm qualquer perspectiva de sair do fundo poço.

Diante desse triste retrato de uma “sub-vida”, não é de se esperar que não haja alguém – além de algumas poucas instituições de caridade que distribuem sopas e cobertores durante o inverno – ao seu lado para dividir a agonia da espera pelo fim, pelo descanso eterno. Mas há sim algum tipo de companhia para esses excluídos. Os cachorros.

As cadelas de rua prenhas dão à luz a vários filhotes. Os mendigos dificilmente adotam um filhote. Geralmente os animais é que se aproximam dos humanos. Começam a seguir os mendigos, recebem restos de comida e começa, assim, a nascer uma ligação entre o homem e o animal.

As cenas que ocorrem com freqüência entre o mendigo e o cão são tocantes: o homem divide a rara comida disponível com aquele animal que é o único ser que lhe é e será fiel até o fim. Os cachorros, por mais sarnentos e mal cuidados que sejam, estão sempre ao seu lado. Os cães continuam do lado daquele que ele julga “dono” mesmo nas piores situações. Defende seu dono, não o abandona por nada, está sempre disposto a dar e receber atenção. Cachorros não reclamam da sujeira, da falta de alimentos, da sempre presente garrafa de pinga. São leais e permanecem junto ao dono independentemente do que houver.

Não é de se impressionar, por tanto, a emoção que os mendigos sentem quando algo acontece ao seu animal. Recentemente um cachorro de rua foi atropelado na Avenida Sumaré, na Zona Oeste de São Paulo. O dono, um morador de rua, ajoelhou-se no meio da rua e ficou um bom tempo debruçado sobre o cachorro morto, chorando compulsivamente, como se o cachorro fosse, de fato, a única coisa que lhe restava no mundo.

Mais uma prova da importância que o cachorro tem na vida do morador de rua é quando, nas noites de inverno intenso, os mendigos se negam a ir para albergues já que nesses locais não são aceitos animais.

Porém, nem tudo são flores. Mendigos incomodam a sociedade. Moradores de rua chocam, mas não pela miséria a que estão submetidos e sim pelo rastro de imundice que deixam. Como se eles buscassem comida em latas de lixo ou usassem a rua como banheiro público porque querem... Os cachorros também irritam a população. As pessoas alegam que os animais transmitem doenças, são agressivos, tornam a cidade mais feia e suja.

Mendigos são a mancha negra das grandes metrópoles. Recentemente, o Prefeito José Serra causou polêmica ao construir rampas anti-mendigo na região da Avenida Paulista, um dos principais pontos de lazer e comércio da cidade. Os moradores de rua envergonham as autoridades que, em vez de tentar resolver o problema da desigualdade, simplesmente passam uma massa de concreto pontiaguda na calçada, impedindo os mendigos de dormirem próximos ao lugar freqüentado por turistas e pessoas de classe média e alta.

A grande quantidade de animais abandonados pelas ruas é um reflexo da sociedade que também condena muitos serem humanos a viverem como ratos. Obviamente, existem políticas públicas para evitar que essa marginalização ocorra. Porém, como tudo o mais no Brasil, o problema só tenta ser remediado quando toma proporções absurdas.

Em 2001 a Prefeitura de São Paulo criou o PSA (Programa Saúde do Animal) que visa diminuir o número de animais abandonados e sacrificados na cidade, além de tentar reduzir a ocorrência de zoonoses (a raiva, por exemplo). Esse programa tem como um de seus principais objetivos a esterilização em massa de cães e gatos, gratuitamente. Segundo o site oficial da Prefeitura de São Paulo, entre outubro de 2001 e dezembro de 2003, foram realizadas 55 mil cirurgias subsidiadas de esterilização em cães e gatos para proprietários sem qualquer recurso.

É obrigação da Prefeitura, conjuntamente às sociedades protetoras, promover campanhas de esterilização gratuitas (semelhantes as que fazem para a vacinação contra raiva) para atender, principalmente, a população que por ignorância e/ou falta de recursos, promove a proliferação dos animais que passam a viver nas ruas.

(tinha uma foto bem legal tb, mas não tô conseguindo carregar)


segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Fim de uma era

Daí que quinta-feira acabou a minha vida acadêmica. Não, não pretendo fazer pós. Quem sabe um outro curso de graduação, mas ainda não pensei a respeito.
Terminei um curso fraco, com muitos professores picaretas, mas que tem nome no mercado, então ok.
Estudei com gente interessante e outras nem tanto. E não, vida universitária NÃO foi a melhor época da minha vida.

Na minha banca só apareceram 3 pessoas. Não que eu desejasse profundamente um grande público, mas... Né. Isso não me afetou, no entanto. Depois de reler e ensaiar umas 20 vezes o meu texto de apresentação do tcc, mandei ver. Saiu direitinho, exceto por eu ter comido um parágrafo importante.
A banca discutiu meu título, me elogiou horrores e chegaram à conclusão de que eu tenho paixão pelo jornalismo.
nigga what?

Acabo de concluir a faculdade e não sei o que eu quero da vida. Simples assim. Continuo tão perdida como estava ao começar a faculdade, em 2005.

Deveria estar feliz, tirei 10 e talz, mas... Tô é broxada, sem perspectivas de nada. 2008 foi um ano zuado, eu tô zuada, há alguns meses me sinto o cocô do cavalo do bandido, então...
Termina, 2008!

E agora vou colocar o texto que escrevi para a apresentação do meu tcc. Ao falar mudei umas coisas, comi outras, mas na essência foi isso aí:

Boa noite e obrigada pela presença de todos! Contar com a força de vocês é realmente importante para mim.

Queria antes de mais nada pedir perdão pq boa parte da minha apresentação vai ser lida, mas é que eu não tenho uma oralidade muito boa e se soma a isso o meu nervosismo... Capaz de eu me desesperar e começar a gaguejar em alguma hora, e com uma cola isso dificilmente acontecerá.

Também queria dizer que tenho noção da quantidade de erros no meu trabalho. São erros de digitação, de diagramação, de concordância... A cada vez que abro o livro acho mais correções a serem feitas! Mas é que como era um projeto experimental, resolvi EXPERIMENTAR mesmo. Não quis terceirizar o trabalho, queria tê-lo em mãos sabendo que era meu, que tudo ali era fruto do meu árduo trabalho de meses. Então eu que escrevi, que revisei, que diagramei. E que arco com os tantos erros.

Além disso, poucos trabalhos sofreram tantos imprevistos como o meu. Tive que adiar a banca 3 vezes, tive que refazer a diagramação inteira também três vezes, tive que refazer o trabalho de vários dias em poucas horas por escrever o tcc em várias máquinas diferentes, tive que voltar várias vezes na Gráfica para arrumar coisas do livro... Sempre chegava uma hora que eu queria mandar tudo pro inferno, mas felizmente eu persistia.

Bom, como cheguei a esse tema? Meu nome é Ana Clara, e meu sobrenome é indecisão. Perguntem para a Rachel ou para qualquer pessoa que conviveu comigo no começo do ano: passaram pela minha cabeça os temas mais despropositados e diferentes possíveis. Eu tenho uma paixão louca por animais, em especial cachorros. Queria escrever sobre eles, mas... Cachorro não fala! E entrevistar pessoas que cuidam de animais não era nem de longe minha intenção. Aí pensei em escrever sobre anti-sociais, mas... Quem sou eu para adentrar o mundo da psicologia com uma bagagem de ínfimos 2 livros lido sobre o tema? Cheguei a cogitar escrever sobre blogs, um tema presente no meu cotidiano e que me interessa muito (pra quem não sabe, tenho um blog de besteiras com 1500 acessos diários), mas esse assunto já tá sendo discutido por gente bem mais especializada do que eu.

Já era maio, e nada de um insight. Era uma sexta a noite, dia das minhas orientações com a Rachel, e eu estava conversando com a Stella sobre a eleição, e que a Marta Suplicy ia mesmo concorrer... Aí ela deu a idéia: pq vc não cobre a eleição, a campanha da Marta? Meus olhos brilharam e já contei pra Rachel, que aprovou.

Porque Marta Suplicy? Pq, queiram ou não, caros amigos, tenho uma identificação forte com o PT e principalmente com o governo da Marta, do qual meu pai participou. Foi naquela época que comecei a me interessar de verdade pela política e por aquele governo polêmico e ousado da Marta. Todos aqueles projetos feitos durante a gestão dela, que foram incorporados como conquistas da população... CEUs, Bilhete Único, Uniforme e material escolar para a rede pública... Tudo isso sobrevive e foi compromisso dos candidatos manter e ampliar.

Enfim: no começo do tcc eu pretendia acompanhar de perto a cobertura da mídia. Cheguei a fazer um blog para organizar as matérias e as minhas críticas a respeito, mas em pouco tempo percebi que aquilo seria impossível: análise de conteúdo é um trabalho que requer tempo, paciência e um número maior de pessoas. Desisti.

Enquanto isso, eu passava 9 horas do meu dia numa agência de marketing, num trabalho que me agradava a medida do possível, que era estável, pagava razoavelmente bem e tinha até plano médico. Mas não tinha absolutamente nada a ver com o meu tema e minhas inspirações profissionais. O que eu fiz? Joguei tudo pro alto, deixei meu emprego, meus amigos e minha estabilidade e me joguei de corpo e alma na campanha, trabalhando na assessoria de imprensa da campanha da Marta – que eu consegui por meio de influência do meu pai, que tinha trabalhado com boa parte do pessoal que comandava a campanha. Isso era junho.

Não sei o que eu esperava, mas foi totalmente o oposto... Me colocaram no clipping, que é o acompanhamento de rádios, TV, jornais e internet, mas aquilo pouco me ajudava. Eu queria ir para a rua, viver a campanha. No começo não trabalhava aos fins de semana, e os usava para ir nos eventos. Todos os eventos que conto no primeiro turno foram nesse esquema. Então, a coisa apertou. Comecei a trabalhar aos finais de semana – sem folga alguma, é claro. Não tinha como ir pra rua, mas tinha acesso aos bastidores de tudo. Foi nessa época que comecei a me questionar sobre que linha editorial eu adotaria. Sabia ser impossível fingir neutralidade. Sou fanática por política, assim como pessoas são com futebol. E, assim como no futebol, eu também tenho o meu time. E como escrever sobre “o meu time” com neutralidade?

Mas a Rachel me abriu os olhos. FINGIR neutralidade é exatamente o que a grande mídia vem fazendo. Manipulam opiniões por meio de escolhas editoriais pouco ou nada éticas, dando mais espaço às críticas negativas a determinados candidatos ou elogiando projetos de outros. Não vou entrar muito nesse mérito, porque os exemplos são mil e todos conhecemos bem. Isso tudo eu falo na introdução.

Então, resolvi não fugir e defender meu posicionamento. Acho que isso dá maior credibilidade e honestidade ao meu trabalho, por não ser um jornalismo de panfletagem, mas um relato com críticas e elogios ao modo como a campanha foi conduzida, sempre deixando claro o meu posicionamento.

Quando começou o segundo turno, o clima já era outro. A Marta tinha terminado abaixo do Kassab, a realidade de uma cidade anti-petista que derrotaria Marta vinha surgindo no horizonte. E é aí, na minha opinião, que meu tcc esquentou pra valer. No primeiro turno eu ainda estava meio perdida, mas no segundo a vivência no campo já me contagiava, e o relato ganhou mais vida e ânimo, mesmo com as circunstâncias nada favoráveis. E também participei de mais eventos, muitos com o Lula – e foi então que eu percebi o pq dos 70% de aprovação que ele tem. Sério, mesmo para quem não gosta dele... Experimentem ouvir um discurso inspirado dele. Mexe fundo com qualquer um, o cara é foda.

Mas tiveram também os debates... E aquela campanha agressiva da Marta... A história do comercial do “É casado, tem filhos?” daria um livro à parte, não apenas pelas contradições implícitas na idéia de questionar esse tipo de coisa – o que na minha opinião só foi tão grave pq todo mundo tava pré-determinado para ver “insinuações sobre homossexualidade” no conteúdo... Mas vem cá: o Alckmin não usava a Dona Lu a torto e direito em sua campanha? E o Maluf não usou e abusou da informação de que era casado há 50 e tantos anos? Sob esse viés, parece justo perguntar sobre a família do Kassab. Mas também acho que foi inocência do marqueteiro não prever o resultado disso. Enfim, cada um tem uma opinião sobre isso, eis a minha.

E teve também o caso do CEU Vila Formosa, que o Kassab tinha colocado no material de campanha como entregue ainda nessa gestão, e a Marta chegou lá e só tinha uma terraplanagem no terreno... Era a prova definitiva de que DEM e políticas de inclusão social são mundos diferentes.

Enfim, qual é a utilidade desse trabalho? Até então, é o único relato da eleição 2008 em São Paulo, ainda que sob o viés da derrota. Uma eleição em São Paulo, a 5ª maior cidade do mundo e a mais importante da América Latina tem sua cobertura plenamente justificada, por mexer diretamente com a vida de mais de 10 milhões de pessoas. E é por isso que resolvi não cortar nada do material e manter a quantidade de páginas que vocês vem: 186. Decidi que esse trabalho tem um caráter de livro consulta e não necessariamente de leitura. Servirá para estudantes que procurem saber sobre determinados momentos da eleição de 2008.

Na real, o livro poderia ser muuuito maior. Muito maior, muito melhor... Mas esse tipo de análise a gente só consegue fazer quando o trabalho está pronto.

Além dos erros, dos imprevistos e, lógico, da derrota da Marta, enfrentei muitas dificuldades na campanha – de pessoas que simplesmente não se importavam com meus interesses e não faziam o que estava ao seu alcance para me ajudar, mesmo que muitas fizessem além do que podiam por mim, mas o que pesou mesmo foi o preconceito. Gente, eu sempre enfrentei dificuldades pela minha ideologia política. Meu círculo social é elitista e conservador. Não foram nem uma, nem duas, nem três vezes que tive de enfrentar questionamentos, desrespeito e ataques contra o meu trabalho. Falar para alguém o que era o meu tema vinha seguido inevitavelmente por alguma expressão de desdém ou de asco. Bati boca inúmeras vezes, fiz inimizades, me estressei a ponto de chorar de raiva... Como é difícil defender alguma coisa!

E aí eu ia naqueles eventos na periferia mais pobre, lugares que o pessoal que tanto fala e finge fazer jamais esteve. E via o que os governos do PT (da Erundina e da Marta, no âmbito municipal, e do Lula, no âmbito federal) significavam para aquelas pessoas. O fato de Marta ter conseguido maioria de votos em boa parte das periferias mais pobres de São Paulo mesmo no segundo turno não é à toa. E é exatamente isso que explica o título do meu livro.

Vocês vão pensar no filme “Muito além do Jardim” (ou Being There) com o Peter Sellers, mas no filme o personagem principal sai do jardim pela primeira vez. A Marta não; ela é uma representante dessa área nobre de São Paulo, é representante da burguesia conservadora e preconceituosa, mas escolheu outro caminho. Sua campanha foi majoritariamente nas áreas pobres, e são nesses lugares – muito, muuuuito além dos Jardins, do Morumbi, de Perdizes – que ela tem uma base eleitoral solidificada desde que foi eleita em 2000.

Queria falar rapidinho sobre alguns “extras” do meu trabalho. Primeiro sobre o Observatório de Mídia, uma organização que acompanhou as matérias sobre os candidatos nos principais jornais e as qualificou como neutras, ambíguas, favoráveis ou desfavoráveis. Quer dizer, a análise do material de mídia que eu queria fazer no início estava toda lá! E foi muito, muito útil. Também sobre as fotos, do César Ogata, o fotógrafo da campanha. Algumas imagens valem mais do que mil palavras, certo? Então ficam aí as fotos para contar um pouco mais do que eu já relato nos textos. E também a entrevista com o Cezar Xavier, que cobriu todos os eventos de campanha da Marta. Ninguém melhor do que ele para relatar o que sentíamos nos bastidores e ir além disso tudo.

Cada aluno se dedica de uma forma ao seu tcc, mas acho que poucos viveram tão intensamente o seu trabalho como eu. Foram 4 meses ininterruptos de campanha sem descanso. Abdiquei de vida social, física e psíquica. Abdiquei de conforto e de descanso. Mas acho que consegui meu objetivo.

Ah, para finalizar, uma pergunta que todos me fizeram: PQ NÃO ENTREVISTEI A MARTA? A resposta é simples: não senti necessidade. Lá na assessoria chegavam perguntas da imprensa e do público em geral que iam desde as impressões dela sobre a campanha até seu prato favorito, tipo de música e bairro preferido em São Paulo. Tinha de tudo, tudo mesmo. E eu achei que uma entrevista minha não teria nada a adicionar.

É isso!


domingo, 14 de dezembro de 2008

domingueira

inveja de personagem de livro...
invejinha tosca de personagem de livro com mil enrolações pra resolver... e eu, mal conseguindo lidar com as minhas, querendo que a vida fosse resolvida como a dela... todos em seus postos, opções decididas (faltando a escolha obviamente), situações arranjadas, pessoas manipuladas... o problema é que sou de verdade... não curto enrolação, ou será que não sei enrolar? de qualquer forma estou impossibilitada de considerar isso algo ruim...

domingo... dia livre, tranquilo e nublado, ninguém em casa... o que você faz: liga pro seu rolo e se diverte horrores ou organiza sua zona, pede yakissoba e lê a tarde toda?

suspeito fortemente que não nasci pra isso... esse negócio tão arcaico e ultrapassado de relacionamento... não tem cabimento... dois estranhos se afeiçoando por química, projeções e conveniencia, principalmente por conveniencia...

maldita tarde de domingo que me deixa formigando...
acredito que felicidade humana é possibilidade... quando a possibilidade existe, a felicidade ronda... quando não existem alternativas, a felicidade passa longe...
passar domingo sozinha, pra mim, é a calendarização da não-existência de possibilidades... de verdade, amo ficar sozinha, mais que tudo talvez, mas num domingo? acho chatíssimo... domingo não é meu dia... nasci num domingo, mas concordo de mais com a teoria da chatisse do domingo do douglas adams... e não é como se eu quisesse armar altas diabruras nem nada... meu único desejo de domingo (que meigo) é alguém interessante, de carne e osso, um colchão e um papo empolgante sem-fim... homem ou mulher, criança ou idoso, daqui ou de marte? foda-se... pra mim estar acompanhada de um ser interessante num domingo é a plenitude da possibilidade... taí meu desejo, segura Sitael: quero um colchão, um ser interessante e um papo sem-fim nas minhas tardes de domingo... ou vou me acabar nos livros e na smir ice mesmo...

tá, eu posso pegar o telefone e resolver isso em 5 segundos... tha fuck is wrong with yo???

opa! às 20h tem fast food nation... eu amo o cinemax... amo.

sábado, 6 de dezembro de 2008

por uma hora

engraçado e terrível como os humores mudam né...
estou aqui, sentada, cara a cara com outros universos, com acesso irrestrito, vendo a mesma fotografia e a mesma legenda que vi há 13 dias...
há 13 dias, logo de manhã, a imagem me intrigava e a legenda, mais do que qualquer outra, me causava ataques de riso...
hoje, às 16:12h, a fotografia me parece idiota, infantil, totalmente dispensável, e a legenda... a legenda me causa algum enjôo... talvez repulsa... talvez vergonha...

é uma coisa incontrolável esse tipo de mudança... meu guru (pelo menos o guru que adotei) já avisou: "avaliar a vida enquanto se está com um humor sombrio equivale a um suicídio emocional"... pra variar ele tem razão...

o que me deixa inquieta é esse enjôo repentino que me aparece numa tarde de sábado... tenho coisas pra fazer, muitas por sinal... tenho objetivos a alcansar, incertos na maioria... tenho tanta coisa pela frente... mas parece inevitável me distrair no caminho... e quando percebo, o interesse está perdido, ou ao menos, deixado de lado...

não acho que sou uma pessoa que sabe o que quer... sou uma pessoa que consegue o que quer naturalmente, na lei do menor esforço... em poucas palavras, na verdade em duas, eu sei o que quero: o bem... fora isso não faço idéia... os caminhos, atalhos, sinais, passantes... disso não sei nada... talvez não queira saber, talvez não queira me envolver... talvez simplesmente não consiga... o envolvimento pode atrapalhar... ou pode solucionar...

acordo de bom humor, durmo de bom humor, mas esse pico vespertino, mais ou menos das 16 às 17h, me deixa num estado que não sei explicar... graças a deus durante a semana estou ocupada demais nesse horário pra perceber... e nos sábados às vezes dou sorte de estar no sítio ou nalgum churrasco ou festa pra me distrair... mas quando estou sozinha, nesse horário, os humores sombrios tomam conta... tenho medo do que pode acontecer...

mas eu nasci pra sorrir... é tão óbvio, está bem no meu rosto, meus lábios já vieram assim, não tenho como negar essa tendência... é só achar o lugar certo, a situação certa, a pessoa certa, a imagem certa, pro coração descansar... e ainda me restam 20 minutos... mas sinto que já passou... tem gente que faz seu dia não é? mesmo não nos vendo há séculos... mesmo sabendo de todos os senãos... meu brother me tranquiliza... felizes os que tÊm algo puro e verdadeiro pra descansar o coração das incertezas e tormentas que aparecem...

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Saiba quão puro/pervertido você é

Mais um texto inútil para passar o tempo, enquanto Marília e Yo estamos atarefadíssimas na nossa contagem regressiva para a formatura!

O teste:
http://www.geocities.com/bourbonstreet/bayou/8433/testedepureza

Meus resultados:

You answered "yes" to 99 of 175 questions, making you 43.4% socially pure (56.6% socially corrupt); that is, you are 43.4% pure in the social domain.

Primeiro: me acho bem mais pervertida do que isso, e tenho a impressão de que na primeira vez que fiz o teste, a pureza era menor do que atualmente (ok, Ana, pense nos últimos 6 meses. Você ESTÁ pura).

Segundo: os bagulhos que estão em inglês em não sei. Meu conhecimento sexólogo em inglês é baixo.

Terceiro: "Usou o teste de pureza como uma checklist do que vai fazer ou wish list?"
S-U-P-E-R.

Isso aí.
Hora dessas escrev0 algo decente.
 
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