terça-feira, 26 de maio de 2009

acordei um pesadelo

hoje tive um pesadelo, o que é coisa rara... considerar o sonho um pesadelo é uma coisa rara pra mim, na maioriiiiia da vezes me divirto com o que sonho, independente do que for, sempre acho uma coisa legal e engraçada pra rir... geralmente estou nalguma fase de jogo, sendo perseguida, passeando por planetas nada convencionais, encontrando a dona morte (sim, com capuz e tudo), reencontrando gente das antigas ou gente que nunca conheci, gente famosa, aprontando em festas super esquisitas, entre outros... mas seja qual for a situação, sempre estou me divertindo...

nem me lembro a última vez que considerei um sonho um pesadelo...

hoje tive dois sonhos... o primeiro (até 4:30) não foi divertido, ou melhor, a sensação que me acordou não foi divertida...
foi bastante monótono, em tons de cinza, personagens principais: eu, minha irmã e minha mãe... resumindo bastante: eu e minha irmã iriamos fugir de casa quando meus pais fossem sair de férias (pela primeira vez em anos) para o Havaí... íam passar quatro dias, eu e mana fugiríamos no primeiro dia de viagem, já tinhamos arrumado a mala e tudo o mais... não podíamos nos despedir pra não dar bandeira, então no caminho do aeroporto fomos nos despedindo mentalmente, meu pai já estava lá...

acordei...

fiquei enjoada... um turbilhão de idéias veio à minha mente...

sabe, acho que não conheço nenhum idoso/idosa que não tenha família... o que acontece com essas pessoas?
primeiro eu pensava que as pessoas tinham filhos pra nutrir seus complexos de deus sabe... "ah se fosse meu filho seria assim assim e assado"... daí então pensei que talvez pudesse ser simplesmente parte do processo natural das coisas: nasce, cresce, se reproduz, envelhece e morre... ou por medo da própria morte... daí acordei hoje desse sonho... com a boca esquisita, enjoada...
as pessoas criam família por medo da velhice... já tinha ouvido falar que essa é a chave da imortalidade: passar seu gene pra frente... mas não é exatamente só isso... tem a ver com o medo desse futuro frágil que nos aguarda... quando estivermos velhinhos e cansados, doentes e até machucados, quem sabe, quem vai cuidar de nós?
nós, da geração pós-multi-mistura, que aumentou horrores os níveis de sobrevivência das crianças e criou um inchaço na piâmide etária brasileira, justamente na qual cresci, somos parte desse excesso... nós nos formamos e conseguimos diplomas, praticamente obrigatórios, pra depois ser subempregados, justamente por causa desse inchaço descontrolado... hoje, os que tem entre 20 e 30 anos, farão parte de uma população idosa enorme! aposentadoria adiós, como já sabemos, e quem vai ter paciência pra cuidar da gente? quem tem saco ou grana? daí que mais uma vez percebi como é mancada matar alguém e como pode ser frágil um plano, vc vai lá e tem um filhote, pensando "po, belezera, agora tem alguém pra me amar até o fim da minha vida" e daí seu filhote pega e se revolta e nunca mais da as caras? ou então chega um idiota e pá, acaba com a vida do seu filho?

daí fiquei nessa linha idiota de pensamento, extremamente icomodada rolando na cama (juntando isso à minha dor fodida de LER no braço direito, aumentando meu medo d ser uma velhinha com dores, dependente de alguma alma caridosa)... troquei de travesseiro, deitei e olhei pro relógio: 4:59, hora de ter um sonho bom...

segundo sonho... uma casa de campo super afastada, uma família buscando um dos filhos: desaparecido.
Apareço pra ajudar a procurar, o encontro no primeiro lugar que imaginei, no único lugar que não procuraram: no seu próprio quarto... debaixo da cama tinha uma cama menor, debaixo dessa cama menor estava o garoto, totalmente possuído escrevendo coisas malucas num papel... se eu ver o papel novamente saberei exatamente o que era... 84, o desenho sempre se resumia no número 84...
Fui pra fora e olhei o céu, o sol se punha, mas o céu estava esbranquiçado, olhei pra dentro e o menino (uns 17 anos) ainda rabiscava loucamente o papel, percebi que eram coordenadas, alguém estava chegando... olhei pro céu novamente, nuvens em forma de triangulos iam aparecendo por trás das árvores, iam escurecendo uma sobre a outra, como se estivessem guiando uma luz difusa e crescente que eu conseguia ver atrás da mata.
Entrei e disse: eles estão chegando, nada de pensamentos ruins hen? eles podem ler sua mente, então pensem apenas coisas boas, são apenas visitantes.
A avó disse que sentia medo, eu disse: medo não é ruim, porém desrespeito é. nada de pensamentos violentos ou maléficos, apenas pensamentos bons ou neutros.
o "disco" pousou no quintal. todos saíram pra ver... do disco desceu uma outra família, 4 meninos (todos muito bonitos, cabelos pretos curtos, sobrancelhas grossas e maxilares bem quadradões), 6 meninas (todas lembravam mto a amy smart, mas com o cabelo castanho claro liso e reto no ombro), um pai e uma mãe, desceu uma mesona de madeira, a mãe colocou as coisas na mesa e eles começaram a jantar, olharam pra gente (todos abobalhados), sorriram e continuaram a jantar...
Passados alguns dias tudo corria bem, a família se comunicava e nós obedeciamos os pedidos... sentíamos o enorme poder dos visitantes embora não tivessem feito nenhuma demonstração explícita, mas era claro que estavamos sob sua guarda...

entrei numa espiral e vi uma roda de pregos enorme flutuando, em cima das cabeças dos pregos, em duplas, as pessoas da família terrestre, incluindo eu, faziam malabarismos, tentavam se equilibrar e não cair no fundo azul infinito, percebi que ía acordar... dois minutos depois ouvi o pedreiro aqui da construção do lado bater no prego... kkk

acordei tranquila, a vida é só um teste, assim como os n-tests que a coréia anda aprontando, a qualquer momento desce uma nave de neguinhos de outros planetas no quintal, e a grande preocupação com a velhice se desfaz como bala de coco na boca ^^

po, nem re-li, desculpem os erros, ando desacostumada com teclados...





ps: entaooo, fiz uma pesquisa de campo com pessoas experientes na área, aka: mães.
primeiramente ouvi q ser mãe é uma coisa natural, é uma coisa necessária pra perpetuar os mamímeros humanos... daí falei q po, seis bilhões e bolinha, se for pensar assim acho q já deu né? fora que é tudo ser humano, vc pode adotar, cuidar e talz... e então veio a resposta realmente do coração, rolaram até lagriminhas viu, que a maternidade é uma coisa única e linda e coisa e tal, não tenho nem o que rebater quanto à isso pq realmente é nessa visão romântica que se apoiam as mães que planejam seus filhotes... daí coloquei essas outras teorias, medo da morte, medo da velhice e coisa e tal, mas daí ouvi que ninguém pensa nisso quando planeja seu bebê... e realmente é um pensamento bem ordináriozinho né? :P prefiro a idéia das mamães fofas e romântiques viu ^^
ainda ouvi q uma velhice sem familiares deve ser triste, independente de mtos amigos e dinheiro, os laços familiares proporcionam coisas q essas outras relações não dão... pessoas q envelhecem sozinhas vivem menos... acho q nao é nem "menos" mas com "menos qualidade"... sempre pensei que seria uma velhinha sem família, deu medinho, mas tenho irmã, primo e amigos em quem acredito, e existe muito chão pra percorrer ainda... vai que aparece uma paixão ou um ovni ^^

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Discussão sobre o tipo de estudante de jornalismo que está entrando no mercado

Minha faculdade é uma merda.

Desculpe, mas é força do hábito. O impulso me fez generalizar. Na verdade, a universidade é boa. A PUC é bem conceituada, tem tradição, professores bem preparados. Eu sei que o Direito da PUC é ótimo, assimo como todos os cursos mais tradicionais. Mas o jornalismo é uma merda. Quanto a isso não há dúvida. E não é exagero e nem generalização. A maioria do pessoal que estudou comigo assinaria embaixo.

Foram 4 anos de ENROLAÇÃO. Várias matérias sem sentido, professores medíocres que gastavam o tempo de aula inteiro para falar inutilidade (momento histórico: professora de filosofia falando sobre câncer na vulva), professores que não apareciam para dar aula... A rigor, eu não sei o que é ME ESFORÇAR desde o final do 3º colegial. Levei a faculdade na flauta. No meu curso mal teve prova, e quando tinha era dissertação/enrolação. Sinto falta de responder questões.

O curriculum do curso era absurdamente falho. Tanto que dois anos após entrarmos, um novo curriculum foi aprovado, com aulas que contemplavam até montagem e atualização de blogs. Isso sim é matéria útil. Aconteve que eu ainda peguei o curso velho.

Daí que as aulas que eu mais gostei na faculdade não eram específicas do jornalismo. Tipo Fonoaudiologia e Direito. Sim, adorei Direito. Me chamem de conservadora, quadradona, mas eu gosto é de aulas dadas do modo tradicional. Essa história de deixar a sala ficar discutindo por horas, dias, meses a fio sempre me irritou. Às vezes é super válido, mas ser esse o único método de aula faz parecer que rola um total desinteresse do professor. Eu gosto de aula em que o professor escreve na lousa e a gente tem que copiar, em silêncio. E apenas Direito era assim.

Eu nunca entendi muito bem como a PUC era conceituada em jornalismo, com aquele monte de professor picareta (salvas poucas exceções) e aulas antiquadas. Aí falavam: UNIbairros da vida tem estrutura, tem disciplina, tem matérias atuais. Acontece que só dá cabeça oca. É um processo de modelagem, e não de aprendizado. Os alunos são treinados para fazer um texto com um formato pré-definido. Mas pensar e questionar não faz parte do que lhes é passado. E é essa a diferença crucial da PUC. A nós SÓ é passada a mania de pensar e questionar. Querendo ou não, a gente lê bem mais do que um aluno de uma Uninove ou UNIP.

Acontece que só tive a prova definitiva de que isso era verdade numa entrevista de emprego que eu fui semana passada.
Um teste com várias perguntas nos foi passado. Além de ter que escrever um release (coisa que UNIPs da vida são condicionados a fazer bem, mas eu nunca aprendi), tinha que responder perguntas simples, mas que requerem uma mínimo de bagagem cultural, coisa que UNIbairros não trabalham em seus alunos.

Na primeira questão, deveríamos responder quem inaugurou o conceito de livro-reportagem que provou que não-ficção poderia ser tão literário quanto ficção. Eu não li o livro ainda, e não me orgulho, mas se tem uma pergunta que QUALQUER jornalista puquiano sabe responder... É essa. A resposta? Se você é estudante de jornalismo ou já formado e não sabe, você DEFINITIVAMENTE precisa ler. Faça uma pesquisa na internet e descubra. Ou grifa aê: "A sangue frio", do Truman Capote.

Em seguida, perguntas sobre livros que você leu, filmes que você viu, peças de teatros que assistiu. E uma lista de pessoas famosas para responder o que elas fizeram. Na lista nomes como Dilma Rousseff, Ana Carolina Jatobá, Aécio Neves, Protógenes de Queiroz (outro nome que qualquer jornalista puquiano que se preze saberia responder), Dorothy Stang... Também uma lista de cidades, para falar em que estado ficava.

Ou seja: um teste ABSURDAMENTE FÁCIL.

Mas na saída eu percebi pessoas conversando e reclamando que o teste era muito difícil. Difícil? É difícil responder onde fica Presidente Prudente? Ou Londrina? Blumenau, Manaus, São Luís? Sério, gente, em que país esses jornalistas recém-formados vivem? E o que mais me espantou: NINGUÉM dos que reclamavam havia respondido à primeira pergunta, aquela do autor do gênero de livro-reportagem tal como o conhecemos.

A essa altura nem se trata do emprego em si. Nem é o trabalho dos meus sonhos, definitivamente. Mas, sério, gente, que vergonha alheia desses jornalistas que estão entrando no mercado. VÃO LER, peloamordedeus.

Não que eu seja um exemplo, longe disso, há falhas dantescas no meu eu intelectual, mas eu sei raciocinar, pelo menos. E tenho orgulho em dizer que os puquianos, do jornalismo eu garanto, também sabem, por mais doidões que sejam.

Ou seja: por pior que tenha sido o curso, me formei no lugar certo. Poderia ter sido bem pior.

Eu poderia não saber quem é Gay Talese, poderia nunca ter lido "Rota 66" e muito menos ter devorado o excepcional "Notícias do Planalto". Certamente eu nunca teria lido John Reed e nem os livros-reportagem do Gabriel Garcia Marquez. Não teria lido várias biografias do Ruy Castro. E poderia, vejam só, nem saber o que é o new journalism e nem o que diabos Truman Capote fez!

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Cinema, séries... "A Sete Palmos"!

Para começo de conversa:
nossa, estou com vergonha do tempo sem atualizar esse blog. Divulgo o endereço dele no orkut, no twitter, até no meu e-mail, para alguém entrar aqui e se deparar com atualizações de 1 mês atrás? Ai, que feio, Ana.

Enfim. Ando assistindo muitas séries. Não chego a ser uma viciada, daquelas que assiste várias simultaneamente, ainda sou muito inexperiente no "ramo". Mas sempre que assisto algum episódio lembro das minhas aulas de Cinema (não lembro o nome exato da matéria) com o Cypriano, um cara bem bacana que dá, além das aulas relacionadas à história do cinema, uma optativa de Artes Plásticas lá na PUC.

As aulas eram basicamente seminários. Eu fiz sobre Gláuber Rocha e Stanley Kubrick, e devo dizer que os aprendizados adquiridos nessas aulas são alguns dos mais sólidos em 4 anos de faculdade. Mas já começo a divagar.
Voltando: o Fábio Cypriano (procurem no Google, ele é bem conhecidinho) é daqueles que criticam impiedosamente o cinema nacional e aquele tipo de cinema feito com linguagem publicitária. É só lembrar que Fernando Meirelles, dentre outros cineastas de nome, são publicitários. O Cypriano defende que o cinema hollywoodiano (e o brasileiro, também) estão impregnados de linguagem publicitária. E sabe para onde foram os diretores de cinema que não cedem à pressão mercadológica?

SÉRIES!

Olha, eu adoro cinema nacional, até gosto da linguagem publicitária (numa dessas aulas o Cypriano mostrou aquela cena de "Babel" em que a japonesa surda-muda vai a uma discoteca. A luz do lugar pisca com flashs, assim como o som, mostrando simultaneamente a visão da surda-muda e das pessoas "normais". Em seguida, o Cypriano mostrou uma cena de uma comercial qualquer. Surpreenderia se eu dissesse que a cena do filme é praticamente idêntica a metade das peças publicitárias de celulares?). Ok, jornalistas, me odeiem. Não ligo.

Enquanto isso, as séries são um refúgio para diretores "não-corrompidos". Eles se expressam como querem, não tem merchandising (pelo menos escancarado)... Há tantos canais pagos... O público é mais amplo, mais cabeça aberta.
Daí eu fui assistir "Six Feet Under", que passou na HBO (dizem que é lá que são produzidas as melhores séries) entre 2001 e 2005.

É difícil pensar em qualquer ponto negativo da série, "A Sete Palmos", em português. Eu a conhecia mas tinha certa ojeriza por tratar de assuntos mórbidos. Mas como eu estava enganada! Então, lá pela 3ª temporada, descobri que o Alan Ball, o escritor, é o roteirista do filme "Beleza Americana", que é um dos meus prediletos.
Por mais que no filme questões complexas - como homossexualidade, machismo, infidelidade, drogas - sejam tratadas, a profundidade não chega perto do que é feito na série. Lógico, o filme tem 2h. A série tem 5 temporadas de 12 episódios, cada um com 50 minutos.

"A Sete Palmos" é sobre o cotidiano de uma casa funerária e a família que é dona dela. Nem vou tentar resumir, porque corre-se riscos...
Antes eu achava que eu tinha cabeça aberta. A série provou o quanto sou cabeça aberta. Metade das pessoas que eu conheço não conseguiria assistir aquilo. Ficariam vidrados - negativamente, é claro - na putaria explícita, mas, gente, tem tanto sentimento em tudo... São causas JUSTAS, por assim dizer. Por mais tabu que sejam. Cada personagem te envolve...
O que dizer do casal gay? Absurdamente apaixonante. Cenas tórridas de romance homossexual, gente fumando maconha episódio sim e outro episódio também, conflitos, solidão, infidelidade... E tudo relacionado à casa funerária.
Pode parecer que é apenas uma série "porra-louca", mas é tudo tão profundo, tão PARTE dos personagens! Não dá para fazer julgamentos precipitados. E eu sei que você, que não assistiu a série, está fazendo. Então baixe a série clicando aqui e tire suas próprias conclusões.

E ontem finalmente vi o último episódio. Na verdade, assisti aos 5 últimos episódios de uma vez. Faltando 3 para terminar, eu já chorava incontrolavelmente. No último... Bom, o Alan Ball SABE tocar fundo. Assim como eu sai do cinema, após "Beleza Americana", soluçando (como 80% do público presente), com o fim de "Six Feet Under" continuei chorando por mais de meia hora. Meu deus. MELHOR FINAL DO MUNDO. Arrepio de lembrar.

Falando de outras séries... Já assisti "Dexter", sobre o serial killer justiceiro, com o mesmo Michael C Hall que faz "A Sete Palmos". Achava que não fosse gostar... pfff. Excelente. Acho que assisti a 2ª temporada em apenas um dia, tão viciante que era.
Também vi "Prison Break", outro que eu tinha um certo preconceito, por ser tão... masculino. Pra que? Vício de não conseguir assistir sem apertar alguma coisa bem forte, tamanha adrenalina. Tenho assistido Lost, que não me pega taaaanto, mas é bacana. Vi Heroes e felizmente desisti. Assisto esporadicamente "Friends" e "Sex and City" na TV, mas aí é sitcom, é diferente.
E tô indo ali puxar "True Blood", a nova série do Alan Ball. Porque me conquistou o cara.

Ops, ficou enorme. Malz aê.

terça-feira, 3 de março de 2009

Benjamin Button: quanto vale? - etc e tal.

Desde que comecei o meu tcc, lá por abril do ano passado, minha vida cultural passou a ser nula. Não vou a shows grandes desde Marisa Monte, em 2006. Teatro? Só às peças da minha tia. Fui ao cinema em 2008 3 vezes, a última em setembro, na estréia de "Cegueira". Não me orgulho disso, mas simplesmente não tava com tempo.

Jurei pra mim mesma que esse ano eu iria voltar a ir bastante ao cinema, como fazia nos idos de 2005, 2006 e 2007, quando eu chegava a assistir filmes cerca de duas vezes por semana. Maaaaaaaaaaas... Esqueci de um detalhe: não sou mais estudante, ou seja, não tenho mais direito a desconto de 50%. Ou seja², simplesmente não rola pagar R$ 15 numa sessão segunda-feira a tarde (perto de onde moro tem sessão que chega a R$ 30 no fim de semana!). E tipo, sorry, mas nenhum filme que está em cartaz me anima a ponto de gastar tanto. E-mule tá aí, né, gente. É feio e não tem o tesão de ver numa tela grandona, com som bem legal, no escurinho... Mas, é de graça. Depois reclamam da pirataria! Cobra menos então, poxa.

Quanto a shows... Já era caro com desconto de 50%. Não tendo mais esse benefício... Esquece. Todos os shows que me atraem não chegam a valer o que custam. Na verdade, só pagaria R$ 200 em concertos de bandas que não mais existem.

Mas ontem, depois de 6 meses de abstinência, fui ao cinema, uma amiga pagando o meu ingresso. Sessão das 21h50 no Shopping Eldorado, segunda-feira, meia dúzia de gatos pingados, literalmente.
Filme: "O Curioso Caso de Benjamin Button". Adoro que quando nos venderam os ingressos deixaram claro que a sessão tinha 3h - e carimbaram no ingresso a palavra "AVISADO" hahaha!

Bom. Como eu previa, não vale R$ 15. Eu acho a idéia do filme excelente. Quem nunca leu aquele texto do Charles Chaplin que vira e mexe a gente recebe por e-mail (colado na geladeira da Umah, inclusive) que diz que a vida deveria começar pela velhice e terminar num belo orgasmo? Pois é. Daria pra fazer um filme incrível...

Mas ele começa bem bom. A gente se empolga. Tem diálogos interessantes, um pouco de humor, um pouco de drama, tudo bem dosado. Mas chega nos 40 min de filme e você já se sente desconfortável, com a nítida sensação de que o diretor, que não tô afim de googlear o nome, tá enchendo linguiça (sem trema!) abundantemente.

E a partir desse ponto, a descida é ingreme. Não engrena mais, só fica naquele lenga-lenga amoroso. Malditos filmes que tem temas ótimos mas que enfiam horas de romance chato por acharem que sem história de amor o filme não vende.

Para quem viu, acho que até a parte em que o Benjamin está na Europa, antes de voltar pra Nova Orleans, é excelente. Desse ponto em diante, para não dormir, fiquei comentando com a minha amiga sobre a maquiagem, os efeitos especiais e o excesso de botox que enfiam no Brad Pitt.

Não me espanta o filme ter ganho Oscar pela maquiagem, pelos efeitos especiais e pela direção de arte, realmente mereceu. Mas o que é uma maquiagem sem um filme empolgante? Nem sei COMO "Benjamin" chegou a concorrer a melhor filme.

Aliás... E o Heath Ledger ganhando Oscar como ator coadjuvante? Mereceu, mas, cabe uma pergunta: "Batman - the dark knight" faria esse sucesso todo e Heath ganharia o Oscar se não tivesse morrido? D-U-V-I-D-O. Incrível o poder marketeiro de uma bela desgraça.

Para terminar: acaba de sair na Folha Online a notícia de que "Se eu Fosse Você 2", do Daniel Filho (continuação daquela água-com-açúcar em que Tony Ramos e Glória Pires trocam de corpo) é o filme nacional mais visto até hoje. Em 9 semanas em cartaz, segundo a nota da Folha, a fita foi assistida por 5.324.387 espectadores, quebrando o recorde que anteriormente pertencia a "2 filhos de Francisco", de Bruno Barreto.
Olha, sou louca por cinema nacional, acho super legal que passem a ser mais assistidos. Mas, poxa, tem que ser um tão exclusivamente global? E besta? E, pior, continuação?
Eu assisti o primeiro filme, "Se eu fosse você", achei bonzinho e só, bem no nível de qualquer outro que passe na "Sessão da tarde". Também vi "2 filhos de Francisco", que me surpreendeu positivamente. Não vi "Se eu fosse você 2", nem pretendo. Gente, tanto filme nacional ÚTIL por aí...

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

raindrops keep falling on my head...

ultimamente tanta coisa vem à minha cabeça quando a chuva me pega no caminho pra casa...
abro o guarda-chuva, mas não guardo realmente nada...
libero os pensamentos... me libero dos horários... me libero de compromissos... libero até mesmo minhas lágrimas bem comportadas pra dar uma voltinha...
penso na sociedade... na nossa educação social... em como tentamos driblar qualquer obstáculo da natureza, até os mais inofensivos... "a natureza busca equilíbrio, o homem o excesso"...
algo me diz que classificar o mundo entre "natureza" e "humanidade" não é a melhor escolha... os dois são parte de um todo, porém, apenas um precisa do outro...
de qualquer forma, lutamos e trabalhamos diariamente contra qualquer "incômodo natural" que possa afetar nossa "felicidade artificial", condicionada, nossos ideais socialmente aceitáveis...
caminhar até sua casa... correr o risco de se molhar... correr o risco de se machucar... correr o risco de ficar sozinho... correr o risco de refletir...
hoje, mais do que ontem, podemos resolver de formas diferentes qualquer risco que a natureza nos proporciona...
trabalhamos duro pra isso...
trabalhamos duro pra conquistar/comprar as facilidades que nos convém...
e, humana, não posso deixar de me perguntar: e eu?
sou parte disso? direta e indiretamente? me rendo? me vendo? trabalho loucamente pra conseguir comprar o carro do ano e não me molhar no caminho de volta? dôo dons por algum trocado e negocio cruelmente minha liberdade em troca de conforto?
a natureza está aí, está bem aqui! salve-se quem puder! quem não puder será pego, medido e julgado pelos demais... por, nada mais nada menos, que seus próprios irmãos, seus semelhantes...

domingo, 8 de fevereiro de 2009

virtude x instinto - vol I

vou contar uma história que alguns podem considerar uma derrota...

a todo momento batalhas são travadas... a incessante luta entre virtudes e instintos...

não pode haver mais de um vencedor... não deve haver... não que exista o bem e mal, mas não deve haver oscilação... não pode haver alternância de poder, a batalha só pode ter um superior: a virtude, e, a partir do momento que o instinto se sobrepõe: adeus, não há retorno...

estive guerreando... ontem, agora me parece tão distante... por horas minhas virtudes venceram, era uma vitória eminente, até quem me cercava, assistindo a batalha, já comemorava... eu era vitoriosa... vitória, palavra irônica pra ser usada nesse caso...

o instinto me parecia tão fraco, chegava a me dar dó de ser um oponente tão simplista, tão imediatista, repetitivo, sem criatividade, de certa forma até inocente, pensava eu...

"eu sei, mas hoje não!"
"se não hoje, quando?"
"isso eu não sei..."

traiçoeiro... um oponente sujo... sorrateiro... me entreteu horas a fio... minhas forças já praticamente dispersas e guardadas graças à vitória tão certa... um golpe... apenas um golpe...

o que antes parecia fraco, parecia despreocupante, parecia até mesmo sob controle, mostrou suas garras e fui posta à prova... perdi... mil vezes: perdi...

me entreguei ao instinto... me deixei levar no momento final... compreendi então que o inimigo estava atacando a todo momento, por baixo do pano... frio e calculista estava apenas me entretendo, jogando comigo, me fazendo seu brinquedo para, num momento de total distração e gozo da vitória prematura, vencer com um golpe... um golpe sujo... suja... fraca... mil vezes: fraca...

não vai importar as horas que resisti... eu não tive coragem, habilidade, firmeza para dar o golpe final... mantive a "educação", a "consideração" e os instintos se apossaram do meu corpo...

só eu sei a amargura das lágrimas contidas... a desmotivação e a autoflagelação que se instalaram desde então no meu ser...

não há caminho de volta... aconteceu... me arrependo enormemente, mas aconteceu... não há mais o que possa ser feito, nem desculpas a serem dadas, nem promessas, nem juras... sobram sonhos comprometidos... mas nada, além da derrota, será considerado...

"você se rendeu."
"eu lutei!"
"mas se rendeu..."

dói... muito...
a natureza me castiga...
apenas agradeço a lição... a oportunidade...
e espero a compreensão... a libertadora compreensão... mãe de todo o bem...

nunca pensei que realizar um desejo antigo e esquecido pudesse trazer tanto tormento...
 
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