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quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Crise SÉRIA de nervos

É um fato: eu sou uma pessoa sociável. Ainda mais com bebida na jogada.
Só que ontem tudo conspirou contra: há tempos eu não conheço alguém e dá tão errado.

Converso com todo mundo, sobre qualquer assunto. Comento futebol, fofoco, falo de religião, sexo, até política. Falo bosta, sou de riso fácil. Mas ontem foi diferente.

Começou com a chefe da minha amiga contando sobre o tcc dela. Passou 1h inteirinha falando, num monólogo desesperador. Eu olhava para os lados implorando socorro, mas ninguém foi me salvar. O assunto do tcc dela era denso e complexo pra caralho. E totalmente inadequado para um bar.

Daí ela começou a insistir para eu contar sobre o meu tcc. Isso tem acontecido, às vezes. Sempre bato o pé para mudarmos de assunto. Ou então conto, mas sem antes a pessoa jurar que não iremos discutir a respeito. Eu sei como é política: gera ódios irrefreáveis. Acontece que ela insistiu muito e eu acabei contando.

Tive que aturar 1h de blábláblá político. E não era um simples blábláblá. Antes fosse. Não eram críticas, comparações. Ela queria mostrar que entendia MUITO do assunto. Extremamente desagradável. Petulante. Arrogante. IRRITANTE.

Ninguém da mesa tentava interferir no monólogo. Eu até desisti de beber. Tudo que eu queria era sair correndo de lá, mandá-la para o inferno, dizer que a gente tava num bar e tinha que falar de assuntos mais fúteis. Cheguei a pedir para mudarmos de assunto várias vezes, eu tava passando mal de nervoso. Queria fugir para o outro lado da mesa, onde as pessoas conversavam, riam e bebiam felizes.
Isso sem contar que só ela falava.

Acho que isso é inédito na minha vida: eu me dar TÃO mal com alguém logo à primeira vista. Até agora me sinto tensa ao lembrar da noite de ontem. Não culpo ninguém. Eu deveria ter levantado de lá e deixá-la falando sozinha. Agora não estaria tão nervosa, pelo menos.

Se bem que minha amiga foi me salvar e eu falei: “Faz ela parar! Já pedi para mudarmos de assunto!”. E a menina mudou da água para o vinho e soltou: “você tem marquinha de biquíni! Não gosto de marca de biquíni, parece que a pessoa é à toa. Jornalista tem que ser branquela e ter olheira. Jornalista com marquinha de biquíni é à toa”. Meu. Sério. Cordialidade? Respeito? Conheço não.

Como se não bastasse aquela máxima, que diz que não devemos discutir temas polêmicos como política e religião – sempre causam indisposição entre as partes – junta-se aí a arrogância da menina.
Bodiei.

Que termine logo esse mês do caralho, em que tudo que podia dar errado, deu.
 
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